Como parte das celebrações do Mês das Mulheres, o Hospital Universitário São Francisco de Paula (HUSFP-UCPel) inaugurou, nesta quarta-feira (11), uma placa em homenagem à técnica em enfermagem Jaquiele Bastos Dias. A honraria é uma forma de reconhecer e perpetuar o legado de dedicação, cuidado e acolhimento da profissional no atendimento à saúde feminina no espaço SER Mulher, onde a placa foi instalada.
A cerimônia de descerramento da placa reuniu docentes e servidores do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UCPel, bem como familiares e amigos de Jaquiele. Querida pela comunidade do HUSFP, a profissional foi lembrada em um momento marcado por muitos aplausos, elogios e lágrimas de saudade.
Representando o reitor José Carlos Pereira Bachettini Júnior, a diretora do CCS, professora Patrícia Osório Guerreiro, classificou a ocasião como uma forma de recordar, com gratidão, a contribuição da profissional. “Neste mês dedicado ao cuidado da mulher, homenagear a Jaquiele como exemplo de resiliência e de cuidado humano é muito importante. Essa homenagem deixa um legado para todas as mulheres que passam diariamente por aqui”, pontua.
Na ocasião, a diretora também entregou uma placa menor aos familiares, como uma recordação que poderá ser exposta na casa da família. “Aos familiares da técnica de enfermagem Jaquiele: cuidar era sua essência, inspirar era seu legado”, diz a homenagem.
Em nome da família, o marido de Jaquiele, Diego da Rosa Pereira, recebeu a honraria e agradeceu a todos os envolvidos na homenagem. “Quero dizer para vocês que ela amava muito vocês, e a família também quer agradecer por tudo que vocês fizeram por ela. Muito obrigado”, declarou.
Exemplo de resiliência
Jaquiele Bastos Dias tinha 43 anos quando um câncer de ovário tirou sua vida, em agosto de 2025. Técnica de enfermagem, ela trabalhava ingressou no grupo da Associação Pelotense de Assistência e Cultura (Apac) em 2020, durante a pandemia, e esteve na instituição até julho de 2025, tendo atuado fortemente no atual SER Mulher. Inaugurado em maio do ano passado, o espaço é um serviço especializado de referência em saúde da mulher, voltado ao atendimento de casos na atenção primária, como alterações em exames de rastreamento de câncer de colo de útero e de mama, além de suspeitas de outras doenças ginecológicas.
Atuando justamente no atendimento a mulheres, a técnica de enfermagem faleceu em decorrência de uma doença ligada ao universo feminino: o câncer de ovário. Jaquiele teve diagnóstico e início de tratamento rápidos, porém o tratamento não foi bem-sucedido. Apesar de não ser o tipo mais comum, este é considerado o mais grave entre os tumores ginecológicos, segundo o Instituto Vencer o Câncer.
Colegas e familiares relatam seu espírito resiliente e altruísta. Professor do curso de Medicina, Marcelo Sclowitz foi um dos colegas que prestou homenagens durante a cerimônia. “Mesmo diante da enfermidade grave que enfrentou, manteve o sorriso e o bom humor. Realmente foi uma guerreira, uma batalhadora, que enfrentou circunstâncias e obstáculos tão complexos com otimismo”, destacou. “Digo de todo o coração que esta é uma homenagem muito merecida”, acrescentou.
Para o marido, esse gesto de homenagem – que pode parecer simples – tem grande significado para ele, para os filhos e para a mãe de Jaquiele. “Ela merecia. Foi uma guerreira, lutou até o fim. Nunca desistiu, sempre esteve lutando. Ela sempre amou o que fazia, então a placa foi bem-merecida”, concluiu.
