Verão exige atenção redobrada com a saúde ocular

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Verão exige atenção redobrada com a saúde ocular

Especialista destaca que medidas simples podem evitar doenças e até perda da visão

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Verão exige atenção redobrada com a saúde ocular
(Foto: Jô Folha)

Com temperaturas elevadas e maior exposição ao sol, o verão também acende o alerta para os cuidados com os olhos. Foi com esse foco que o oftalmologista Lucas Marques participou do programa Corpo e Mente, da Rádio Pelotense, para falar sobre prevenção, doenças mais comuns e avanços nas cirurgias oftalmológicas. Professor de Oftalmologia da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), o médico destaca que a visão é um dos sentidos mais importantes do organismo e que muitos problemas podem ser evitados com medidas simples.

Exposição solar

Assim como a dermatologia alerta para os riscos dos raios UVA e UVB à pele, a oftalmologia reforça a importância da proteção ocular. O uso de óculos escuros com filtro UV é a principal recomendação, mais relevante, inclusive, do que os populares filtros de luz azul.

Entre as doenças relacionadas à exposição solar está o pterígio, crescimento de uma membrana da parte branca do olho (conjuntiva) em direção à córnea. A condição é mais recorrente em pessoas que vivem em regiões com alta incidência solar ou que trabalham ao ar livre. Além de desconforto, pode comprometer a visão em estágios mais avançados.

“Outra preocupação é a catarata, pois embora esteja fortemente associada ao envelhecimento, a exposição solar excessiva pode antecipar seu surgimento”, esclarece. A doença ocorre quando o cristalino, lente natural do olho, torna-se opaco com o passar dos anos.

Dr. Lucas de Oliveira Marques (Foto: Divulgação)

De acordo com o oftalmologista, a catarata é hoje uma das principais causas de baixa acuidade visual no Brasil e no mundo. A boa notícia é que a cirurgia evoluiu significativamente nas últimas décadas. “O procedimento dura, em média, 15 minutos, é realizado com anestesia tópica e, na maioria dos casos, sem necessidade de pontos. Além de restaurar a visão, pode reduzir ou até eliminar a dependência de óculos em alguns pacientes, graças às lentes intraoculares modernas”.

Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o caminho é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS), que encaminha ao oftalmologista. Em Pelotas, as cirurgias são realizadas via rede pública mediante encaminhamento.

Principais doenças no Brasil

Segundo dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), as principais causas de comprometimento visual incluem:

  • Catarata
  • Glaucoma
  • Degeneração macular relacionada à idade
  • Retinopatia diabética

A degeneração macular costuma surgir após os 60 anos e pode provocar distorção das imagens, como linhas retas que passam a parecer tortas.

Já o glaucoma, explica Marques, especialmente o de ângulo aberto, é silencioso e progressivo. Em geral, atinge pessoas mais velhas e pode levar à perda irreversível da visão se não diagnosticado precocemente.

Diabetes

Entre as doenças sistêmicas que afetam a visão, o diabetes é a principal. A retinopatia diabética ocorre devido aos danos vasculares causados pelos níveis elevados de glicose ao longo do tempo. “A doença evolui de forma silenciosa e pode começar com pequenas hemorragias e acúmulo de líquido na retina. Em estágios mais avançados, pode provocar formação de vasos anômalos e até descolamento de retina”.

O especialista ressalta que o controle glicêmico rigoroso reduz significativamente o risco de complicações. Quanto maior o tempo de diabetes, maior a probabilidade de algum grau de retinopatia.

Cirurgia refrativa

(Foto: Divulgação)

Além da catarata, a oftalmologia avançou também na cirurgia refrativa, indicada para correção de miopia, astigmatismo e hipermetropia. Realizada a laser, dura cerca de cinco a dez minutos e apresenta alto índice de satisfação.

“O procedimento não é oferecido rotineiramente pelo SUS, salvo em casos muito específicos em serviços de ensino”, alerta. O valor na rede privada pode variar entre R$ 6 mil e R$ 12 mil, dependendo da técnica e da tecnologia empregada. A cirurgia é indicada principalmente para pacientes que desejam diminuir a dependência de óculos, sendo necessária avaliação oftalmológica prévia para confirmar a indicação. Também pode ser considerada em pessoas que apresentam infecções recorrentes relacionadas ao uso inadequado de lentes de contato. O uso prolongado ou incorreto dessas lentes pode reduzir a oxigenação da córnea e aumentar o risco de complicações.

O perigo das telas

O aumento do tempo de exposição a telas é outra preocupação crescente. Estudos indicam que até 2050 cerca de metade da população mundial poderá ser míope. Crianças em fase de desenvolvimento visual são as mais vulneráveis. A recomendação é evitar telas até os dois anos de idade e limitar o uso durante a infância, priorizando atividades ao ar livre.

“Em adultos, o impacto mais comum é o ressecamento ocular, já que piscamos menos diante das telas. A orientação é fazer pausas a cada 20 minutos, olhar para longe por cerca de 20 segundos e piscar voluntariamente”, indica. Quanto ao filtro azul, o professor esclarece que não há comprovação científica robusta de que ele previna danos à retina. “Pode proporcionar conforto visual em alguns casos, mas não é considerado essencial”.

Automedicação é risco

Um dos alertas finais do especialista é contra a automedicação. Colírios vendidos livremente, especialmente os vasoconstritores, podem mascarar sintomas e até causar efeito rebote, deixando os olhos mais vermelhos com o uso contínuo. “O ideal é que qualquer desconforto persistente, sensação de olho seco ou alteração visual seja avaliado por oftalmologista, para investigação da causa e indicação do tratamento adequado”, destaca. Consultas oftalmológicas periódicas, pelo menos uma vez ao ano, são recomendadas, mesmo na ausência de sintomas.

Sinais de alerta incluem alterações visuais súbitas, como perda de visão, flashes de luz, aumento de moscas volantes, manchas ou sombras no campo visual, linhas distorcidas ou visão dupla, além de dor ocular intensa ou olho vermelho.

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