Se a chuva de 2024 cair amanhã

Opinião

Jarbas Tomaschewski

Jarbas Tomaschewski

Coordenador Editorial e de Projetos do A Hora do Sul

Se a chuva de 2024 cair amanhã

Por

Estamos em contagem regressiva para uma data que segue viva, de forma triste, na memória dos gaúchos. Em dois meses, iremos relembrar o segundo ano da maior tragédia climática da história do Rio Grande do Sul. Foi em 27 de abril de 2024 que uma chuva volumosa inicial, registrada durante três longas semanas na Serra e nos vales do Taquari e do Rio Pardo, transformou para sempre a vida de milhares de pessoas, vítimas das enchentes. Entre a reconstrução das cidades destruídas pela força das águas, o luto de quem perdeu familiares e amigos e as reflexões sobre onde e quando erramos, é inevitável repensar o que parece óbvio neste momento do calendário: estamos preparados para enfrentar episódio semelhante amanhã, daqui a um mês ou a um ano?

A resposta está com o Poder Público de cada município, o principal agente responsável por gerir as políticas de proteção e garantir a segurança, principalmente de quem vive em áreas de risco. E não são poucas as pessoas hoje com um teto em locais desprotegidos. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) aponta cerca de duas mil cidades brasileiras entre as mais suscetíveis a inundações, enxurradas e deslizamentos de terra.

Em Pelotas, segundo o órgão, dos 325.689 habitantes, 53.470 foram mapeados em áreas sob risco geo-hidrológico e que podem ser impactados. Outras cidades da Zona Sul também aparecem no levantamento. Em São Lourenço do Sul, são 12.456 pessoas; em Jaguarão, outras 1.126; em Arroio Grande, 687; no Capão do Leão, 2.177; e, em Pedro Osório, 2.926.

Mais de cinco mil aparelhos espalhados pelos estados ajudam a monitorar os perigos durante as temporadas de chuva. São radares meteorológicos, pluviômetros e outros equipamentos responsáveis por fornecer dados e colaborar na emissão de alertas para as defesas civis estaduais e municipais.

Os avisos têm papel fundamental no processo de orientação. Permitem decisões rápidas e certeiras, muitas vezes suficientes para garantir a segurança em cenários de risco climático. Mas e a proteção das cidades e as fragilidades que apareceram em 2024, como se encontram? Foram enfrentadas? Receberam o investimento prometido e necessário? As prefeituras construíram seus planos locais de ação climática e de resiliência? De fato, apresentraram respostas aos piores cenários possíveis ou são meras formalidades colocadas no papel e guardadas nos gabinetes?

Há muito mais em jogo além do simples — e importante — “atender quem precisa”. Há a questão de direitos humanos e também de vulnerabilidade ambiental no debate.

Chuvas e fenômenos climáticos não têm hora nem dia para nos atingir. Vivemos o 27 de abril de 2024 e precisamos transformar as lições em respostas aos pontos de interrogação que se impõem. E eles são muitos. Eu insisto: estamos ou não preparados? Estamos ou não atrasados em relação às principais demandas levantadas? Esperamos o quê para agir?

Acompanhe
nossas
redes sociais