A franquia Pânico é um acontecimento da geração millennial. O filme, realizado originalmente por Wes Craven com roteiro de Kevin Williamson, redefiniu o slasher ao brincar com os clichês do gênero. Com altos e alguns baixos (nem tão baixos assim, convenhamos), a série chega ao seu sétimo filme, Pânico 7 (Scream 7, 2026) em busca de capitalizar, mais do que nunca, a nostalgia. Sai a metalinguagem e entra o fan service emergencial.
Inicialmente, o material apresentado para esta sequência de Pânico 6 seria um capítulo final com enfoque no novo elenco e nas problemáticas enfrentadas pelas irmãs Carpenter — interpretadas com maestria por Melissa Barrera e Jenna Ortega. Tudo isso foi redefinido quando Neve Campbell, protagonista dos quatro primeiros filmes, decidiu que não deveria ser uma mera coadjuvante e optou por não participar. Honestamente? Pouco se sentiu sua falta. Barrera e Ortega entregaram interpretações e arcos emocionais excepcionais, por exemplo.
Mas tudo mudou quando Barrera se posicionou politicamente contra os ataques de Israel à Palestina, chamando-os, corretamente, de genocídio. Os produtores a desligaram imediatamente. Jenna Ortega, em apoio, também desistiu do projeto e, consequentemente, os realizadores optaram por não continuar.
Com isso, a Paramount (que, em breve, deve comprar a Warner Bros.) decidiu que era hora de voltar no tempo — ou melhor, recolocar Sidney Prescott no protagonismo e ignorar a continuidade da trama que vinha sendo construída até ali. O foco passou a ser, mais do que nunca, a nostalgia: criar um filme com o roteirista original agora na direção, trazer a protagonista clássica e tentar abordar traumas geracionais — Prescott é mãe de uma jovem que atinge agora a idade do primeiro ataque que sofreu.
Porém, o que Williamson apresenta é um filme preguiçoso, genérico, de ritmo fraco, mal amarrado e com uma previsibilidade decepcionante. Pânico 7 é como uma daquelas sequências de Stab que antes a franquia tirava sarro. Deixa-se de lado todo o conceito metalinguístico para dar lugar à ideia de que “as regras já não valem mais”. De fato, para os produtores, parece que Pânico já não precisa seguir nenhuma regra artística tão bem construída ao longo de décadas. Agora, o que vale é lucrar às custas de uma plateia agarrada a um passado que dificilmente voltará da mesma forma.