O que parece ser um serviço comum à maioria dos brasileiros – o sinal de telefonia celular – ainda é uma realidade distante para boa parte daqueles que vivem em áreas mais isoladas de um Brasil continental. O que acaba revelando essa forma de desigualdade pouco visível aos olhos de quem acorda e dorme com o aparelho sempre conectado, em qualquer momento do dia.
Uma das pesquisas mais atuais sobre o tema foi divulgada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec). O levantamento apontou os desequilíbrios da conexão digital no país, com destaque para o tempo sem internet móvel devido à falta de franquia de dados: 35% das pessoas com renda de até um salário mínimo e 35,6% das que recebem entre um e três salários mínimos ficaram sete dias ou mais sem acesso à internet móvel nos 30 dias anteriores ao estudo. Agravante àqueles com renda menor: 11,6% ficaram mais de 15 dias sem acesso, valor quase seis vezes maior do que o observado entre aqueles com renda superior a 3 salários mínimos (2,2%).
Um edital lançado recentemente pela Anatel pode ajudar a reduzir tal distância. A licitação de telefonia móvel da faixa de 700 MHz quer ampliar o sinal de celular e internet móvel no Brasil. O leilão irá acontecer em abril, com investimento de R$ 2 bilhões. De acordo com o Ministério das Comunicações, é uma faixa considerada estratégica. Ela permite levar o sinal mais longe e garantir que funcione melhor dentro de casas, escolas, hospitais e prédios. Assim, será possível atender áreas maiores com menos torres, facilitando a expansão da cobertura em zonas rurais, estradas e regiões mais afastadas dos grandes centros.
Mas, em números, o que o leilão representa? Serão ao menos 800 mil pessoas de 864 pequenas localidades beneficiadas, diminuindo a desigualdades no acesso à conectividade. E o horizonte é ainda maior. Também está prevista a cobertura de até 6,5 mil quilômetros de trechos desassistidos nas principais rodovias federais, incluindo integralmente as BRs 101 – 100% de cobertura ainda em 2026 -, 116, 135, 163, 242 e 364. Juntas, estas rodovias representam 26% da malha federal, pode onde circulam diariamente 6,7 mil veículos.
Um leilão que pretende tirar da invisibilidade os brasileiros de regiões hoje ocultas para as operadoras. Diferente de Pelotas, onde 137 estações de telefonia espalhadas pelo território garantem percentuais positivos: o município registra 97,9% da população coberta pelo sinal de telefonia móvel com a tecnologia 4G, valor 4% maior que a população coberta no Estado e 5% maior que a população coberta no Brasil.