O Ato da Abertura Oficial da Colheita do Arroz está marcado para ocorrer nesta quinta-feira (26) às 16h, na Lavoura Breno Prates, integrando o encerramento da 36ª edição do evento no Capão do Leão. A cerimônia segue como um importante momento institucional de representatividade do setor produtivo em celebração pelo início da atual safra. Além deste, é esperada a realização da reunião da Câmara Setorial do Arroz, um encontro nacional entre representantes do governo federal, lideranças, pesquisadores e produtores, com o objetivo de projetar alternativas práticas para superar a crise.
Em preparação para a agenda mais importante dos três dias de evento, o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Nunes, afirma que, não só a presença de autoridades políticas, como o governador Eduardo Leite (PSD), mas de uma grande parcela de produtores, faz da colheita ainda mais simbólica. Com a boa movimentação nos stands e corredores, a expectativa é de atingir, ou até superar, a projeção de 21 mil visitantes. “Com certeza teremos um público muito bom. Isso faz com que a gente saia daqui muito mais energizado para a colheita que se inicia”, afirma.
Sobre o que espera que o evento contribua no cotidiano de produtores, após o fim do evento, o presidente cita o conjunto de informações técnicas e inovadoras que são apresentadas das mais diversas formas aos visitantes. “Eles [produtores] vão sair com muita informação daqui, para que apliquem no dia a dia e para que, assim, tenham mais competitividade na próxima safra. Isso sempre traz uma coragem maior quando estamos no domínio da informação”, destaca Denis.
Câmara Setorial Nacional do Arroz
Os orizicultores e público em geral, presentes na 36ª Abertura da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, poderão acompanhar a reunião entre membros da Câmara Setorial do Arroz, lideranças, indústria, pesquisa e do governo federal. O ponto central em discussão será a crise do setor produtivo.
A expectativa é que o encontro promova o encaminhamento de políticas públicas e ações práticas para auxiliar o cenário atual da produção de arroz no país, que envolve a situação econômica de produtores, o preço mínimo do cereal e os custos de produção calculados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
A produção arrozeira enfrenta momentos desafiadores com um grande endividamento, que não consegue ser dimensionado pelo setor por envolver mais culturas, além do risco de ainda
enfrentar um estoque muito grande para a safra 2026 e 2027, caso não haja a diminuição da área plantada.
A Câmara deverá introduzir a discussão em torno da construção de um estudo de longo prazo para o setor arrozeiro, com horizonte de até 30 anos, com a definição de cultivares e o posicionamento do Brasil entre diferentes tipos de arroz e suas finalidades.
Ciência como alternativa
A Federarroz deverá detalhar durante a reunião nacional o seu trabalho com o monitoramento das tipificações de embalagens, que estão sendo burladas, causando um grande prejuízo para o setor.
Além disso, o encontro também contará com a apresentação de um projeto da área de pesquisa da Embrapa que envolve a bioenergia para trabalhar outros destinos para o arroz.
O engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa, Ariano Magalhães, trabalha com o melhoramento genético de arroz irrigado e o desenvolvimento de cultivares focados em uma maior produtividade e diversificação do que é plantado na região. Sobre a presença de pesquisadores na Câmara Setorial do Arroz e em diversos espaços dentro do evento, Ariano reafirma o potencial que o cereal tem para usos além do consumo humano, que podem agregar em sustentabilidade ambiental e das próprias lavouras, beneficiando todo o ecossistema envolvido no cultivo. “A pesquisa se faz presente, neste contexto, buscando alternativas para superar a atual crise, principalmente, de remuneração do produto, que a gente pode, de forma conjunta, com políticas públicas e estratégias, melhorar o cenário”, afirma.
