Há 34 anos
A morte prematura e violenta do ator e dublador Older Berard Cazarré, em 26 de fevereiro de 1992, surpreendeu e entristeceu o meio artístico e os fãs do artista, muito conhecido por sua atuação em novelas, séries e humorísticos da TV Globo. Nascido em Pelotas, 16 de janeiro de 1935, teve a carreira também marcada por dublar o carteiro Jaiminho, em Chaves.
Sua primeira participação no meio artístico ocorreu quando Older tinha dois anos de idade, ao atuar no filme O bobo do rei, em 1937. Começou sua carreira na TV na década de 1960 na TV Tupi, onde trabalhou por mais de 20 anos.
Além de ator de TV, cinema e teatro, o ator trabalhou como diretor na TV e no teatro. Cazarré foi contratado pela Rede Globo em 1979. Na emissora carioca atuou em sucessos de audiência, como as novelas Rainha da Sucata, Que rei sou eu?, Fera radical e Bambolê, entre outras. Também atuou em séries como Delegacia de Mulheres e nos humorísticos Chico Anysio Show e Os Trapalhões.
Nos últimos meses antes de morrer, Cazarré trabalhava no programa Escolinha do Professor Raimundo. Era irmão do também ator e dublador Olney Cazarré (falecido no ano anterior, 1991) e filho dos também atores Darcy Cazarré e Déa Selva.
A arte na família
Cazarré era filho do ator pelotense Darcy Lopes Cazarré (1900-1953), que foi um ator, produtor, radialista, tendo trabalhado expressivamente em filmes e em teatro desde o final da década de 1910 até o início da década de 1950.
No cinema destacou-se nos filmes O Jovem Tataravô (1936) e Anastácio (1939).
Foi casado com a atriz pernambucana Déa Selva, com quem teve mais dois filhos, além de Older Cazarré: o escritor, escultor, pintor e artista plástico Luiz Olmer (1943-2023) e o também ator Olney Cazarré (1945-1991).
Older Cazarré era irmão do advogado Antônio Cláudio da Costa Machado, professor doutor de Direito Processual Civil na Faculdade de Direito da USP, filho de Déa Selva com Nelson da Costa Machado. Segundo o professor Machado, o pai do ator Juliano Cazarré, o escritor e jornalista Lourenço Paulo da Silva Cazarré, também pelotense, era primo de seus irmãos.
Bala perdida
O ator morreu aos 57 anos, vítima de uma bala perdida que o atingiu no peito quando ele estava dormindo, de madrugada, em seu apartamento, da ladeira Saint Roman, em Copacabana.
Fonte: wikipedia.org; site Internet Movie Database
Há 107 anos
Chove Não Molha: tradição e resistência desde 1919

Objetivo inicial era simples: celebrar o Carnaval daquele ano (Foto: Reprodução)
No dia 26 de fevereiro de 1919, na alfaiataria de Otacílio Borges Pereira, nascia um dos mais importantes pilares da cultura negra em Pelotas: o Clube Cultural Chove Não Molha. A ideia surgiu de uma reunião entre Pereira, Antônio Silveira Falcão, Henrique Câncio de Paula, Pedro Vargas e Antenor Vieira. O objetivo inicial era simples: organizar um grupo para festejar o carnaval daquele ano.
O entusiasmo e a integração, no entanto, foram maiores do que o previsto. O que seria apenas uma iniciativa pontual transformou-se no Cordão Carnavalesco Chove Não Molha, consolidando-se como espaço de sociabilidade e afirmação cultural.
Conforme apontam as professoras e pesquisadoras Lorena Almeida Gill e Beatriz Loner, em estudo, intitulado Os clubes carnavalescos negros de Pelotas, sobre os clubes carnavalescos negros de Pelotas, o cordão era formado majoritariamente por integrantes da população negra menos abastada, mas que ocupavam posição intermediária por exercerem profissões regulares, especialmente no setor de serviços – alfaiates, empregadas domésticas, cozinheiros e costureiras. Desde o início, o clube representou pertencimento e valorização da ancestralidade.
Início na Cassiano
Instalado inicialmente em prédio alugado na rua Doutor Cassiano, entre Anchieta e Félix da Cunha, o Chove Não Molha ampliou suas finalidades ao longo das décadas. Em 1955, com a venda do imóvel onde funcionava, a entidade precisou desocupar o espaço. A diretoria então iniciou a busca por um terreno próprio, com o propósito de erguer sua sede.
O lote adquirido, dentro das possibilidades financeiras do clube, localizava-se na rua Benjamim Constant, 2.118. Após três anos de trabalho, a nova sede foi inaugurada em 1958, consolidando a trajetória da agremiação.
Em 1966, reconhecido como de utilidade pública, o grupo passou a se chamar oficialmente Clube Cultural Chove Não Molha. Mais do que espaço de lazer, a instituição tornou-se símbolo de resistência, memória e continuidade da cultura negra em Pelotas.
Fontes: blog Pelotas de Ontem, de A.F.Monquelat; microblog Olhares sobre Pelotas; site Clubes Sociais Negros