Colheita do arroz tem início oficial e evento será realizado em Capão do Leão por mais 10 anos

Setor arrozeiro

Colheita do arroz tem início oficial e evento será realizado em Capão do Leão por mais 10 anos

Ato representativo reuniu autoridades, lideranças do setor e produtores celebração pelo início da atual safra

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Atualizado quinta-feira,
26 de Fevereiro de 2026 às 19:17

Colheita do arroz tem início oficial e evento será realizado em Capão do Leão por mais 10 anos
(Foto: Paulo Rossi)

O início da colheita da safra 2025/2026 do arroz e grãos, cultivados em terras baixas, foi marcado pelo ato simbólico e tradicional na sede da Embrapa Clima Temperado, no Capão do Leão. A cerimônia segue como um importante momento institucional de representatividade do setor produtivo, que reúne autoridades, lideranças, produtores e a comunidade em geral. Nos três dias de evento, o número de visitantes superou as expectativas, e chegou a 24,5 mil pessoas.

Considerado o maior evento de abertura de colheita de todas as sedes da Embrapa no Brasil, a colheita do arroz permanecerá ocorrendo no Capão do Leão pelos próximos 10 anos. Neste ano, o evento teve como um dos seus propósitos fornecer informações técnicas e apresentar o que há de mais avançado em tecnologia aplicada ao agronegócio.

O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros (Federarroz), Denis Nunes, afirmou que o ato é um marco que simboliza resiliência, renovação e a capacidade do produtor se reinventar. “O evento foi projetado desde o final de 2024, quando já se antevia os desafios para 2025. A programação foi pensada nesse cenário desafiador. O Rio Grande do Sul vive uma conjuntura desafiadora, mas cheia de oportunidades”, diz.

Como marco para o início das atividades da atual safra, o presidente da Federarroz também lembrou que o setor precisa de auxílio e de políticas públicas robustas, duradouras e eficientes para garantir a continuidade de uma cadeia que impulsiona tantas outras, gerando emprego e renda. “Os produtores não podem trabalhar com juros tão altos, precisam de acesso ao crédito, renegociação das suas dívidas, um seguro rural mais robusto, que seus concorrentes tenham que cumprir as mesmas legislações trabalhista e ambiental”. reforça.

Denis também utilizou seu pronunciamento no ato oficial para destacar a importância do repasse anunciado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e da participação dos produtores rurais em todas as atividades que foram propostas pela organização do evento, com objetivo de munir os trabalhadores com conhecimento técnico. “Informação e tecnologia são necessários para que se consiga amenizar os problemas e, assim, os produtores consigam transformar suas propriedades”, afirma o presidente.

Estiveram presentes, além de membros do setor produtivo do arroz, representantes do Senado, da Assembleia Legislativa gaúcha e da Câmara dos Deputados. O governador Eduardo Leite (PSD) esteve representado pelo secretário de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Edivilson Brum.

Abertura seguirá no Capão do Leão

Foi assinada a prorrogação do protocolo de intenções entre a Federarroz e a Embrapa Clima Temperado para permanência do evento nas dependências da Estação Experimental Terras Baixas, no Capão do Leão, pelos próximos 10 anos. O plano de trabalho prevê, além da realização das próximas edições do evento, a implantação de vitrines tecnológicas, a qualificação de infraestrutura do evento e a execução conjunta de ações que promovam inovação, sustentabilidade e competitividade agrícola.

Câmara Setorial do Arroz

Representantes do governo federal, lideranças, pesquisadores e produtores, participaram da reunião nacional da Câmara Setorial do Arroz. Tradicionalmente realizado nos ambientes de discussão do setor, o encontro teve como ponto central a crise no setor produtivo e o objetivo de projetar alternativas práticas para superar as dificuldades enfrentadas.

A produção arrozeira enfrenta momentos desafiadores com um grande endividamento, que não consegue ser dimensionado pelo setor por envolver mais culturas, além do risco de ainda enfrentar um estoque muito grande para a safra 2026 e 2027, caso não haja a diminuição da área plantada.

O Instituto Riograndense do Arroz (Irga) afirma que sua campanha de incentivo ao consumo, junto com o governo gaúcho, deverá ser intensificada neste ano. A iniciativa usa o mote “Arroz: Energia que Une o Brasil”, buscando reconectar os consumidores com o cereal, que é símbolo nacional, mas perdeu espaço com os novos hábitos alimentares e divulgação de informações equivocadas.

A Câmara introduziu a discussão em torno da construção de um estudo de longo prazo para o setor arrozeiro, com horizonte de até 30 anos, com a definição de cultivares e o posicionamento do Brasil entre diferentes tipos de arroz e suas finalidades.

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