O Museu do Doce apresenta até o dia 10 de março a exposição Guardar para não esquecer, narrar para reinventar: histórias sobre infâncias, memórias e arte contemporânea. A mostra ocupa a sala de visitas, escritório, sala de jantar, copa e cozinha do Casarão 8, na praça Coronel Pedro Osório. A visitação pode ser feita de terça a sábado, das 13h às 18h, com entrada franca.
A exposição é resultado de uma ação extensionista vinculada à disciplina de Teoria e Prática Pedagógica em Arte, do curso de Artes Visuais Licenciatura da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), ministrada pelo professor Daniel Momoli, em parceria com a Escola Estadual de Ensino Fundamental Doutor Francisco Simões. Segundo Momoli, a proposta surgiu a partir da curricularização da extensão. “A Extensão é parte da nossa carga horária e precisa acontecer em atividade com as pessoas”, explica. O processo começou dentro do próprio Museu, quando os estudantes foram convidados a observar o acervo, composto por objetos históricos, sob outra perspectiva.
“No começo eles ficavam com a dúvida: por que nós estamos num Museu que não é de arte, se estudamos artes visuais?”, relata o professor. A partir daí, o grupo trabalhou conceitos como memória, identidade e afeto, construindo propostas educativas aplicadas durante duas semanas com turmas do 1º ao 5º ano da escola parceira.
Experiência enriquecedora
Ao todo, sete turmas participaram, mobilizando cerca de 140 crianças. Cada grupo desenvolveu uma intervenção artística que agora dialoga diretamente com o acervo permanente. “A ideia é que os visitantes olhem a exposição de longa duração junto com os trabalhos das crianças, porque eles ajudam a deslocar o olhar”, afirma Momoli. Em cada intervenção há um texto explicativo e uma pergunta, convidando o público a refletir sobre suas próprias memórias.
A estudante de Artes Visuais Jenaína Duarte atuou com uma turma de 3º ano. Inspirado pela obra Latas de sopa Campbell, ícone da pop art, do artista norte-americano Andy Warhol, e nas latas de compota do Museu, o grupo produziu “garrafas de memória”. “A gente fez eles pensarem em coisas do cotidiano que pra eles eram patrimônios”, conta Jenaína.
A imersão também ajudou as crianças a diferenciarem patrimônio material e imaterial, levando a eles a chegaram a conclusões próprias. “Eles disseram que o patrimônio deles era a professora”, relata Jenaína. Muitas produções trouxeram lembranças de avós e animais de estimação. “Foi uma experiência bem enriquecedora”, resume a universitária.
Trocas e renovação
Para a diretora do Museu do Doce, professora Nóris Leal, a iniciativa reforça a política educativa da instituição. “A proposta vem ao encontro do que o Museu busca: chegar cada vez mais nas escolas”, afirma. Ela destaca que a montagem já despertou a curiosidade do público.
A diretora da escola, Vânia Gonçalves, define a parceria como uma troca. “Eles vêm para trocar ideias, informações, atividades. A gente se renova também.” Ao observar os trabalhos, ela se emocionou com relatos de alunos que “descobriram que arte não é só desenho e pintura”. Para Vânia, experiências assim ampliam repertórios e “recarregam as energias e as ideias”.
Esta é a terceira edição da parceria entre universidade e escola. Para Momoli, o encontro entre Museu, escola e Universidade produz novas narrativas e aproxima o público do patrimônio. “Como é que o patrimônio diz alguma coisa de nós?”, provoca o professor, ao falar que o questionamento convida o visitante a responder.
