Os olhares de Rio Grande e dos demais municípios integrantes da Zona Sul estão voltados para o Tribunal Federal Regional (TRF) da 4ª Região, onde serão conhecidos em breve os novos encaminhamentos do projeto de instalação da Usina Termelétrica UTE Rio Grande. Será o momento de torcer por mais um sinal positivo à proposta de R$ 6 bilhões em investimentos privados, cujo imbróglio já dura 11 anos.
A pauta programada para esta terça-feira foi adiada, possivelmente em alguns dias, e será focada no julgamento das divergências que ainda envolvem a termelétrica, após o parecer favorável do TRF4, em 16 de dezembro de 2025, pela retomada do complexo energético na cidade. Espera-se uma definição quanto à transferência à nova empresa, se de forma direta ou ainda pendente de análise pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O leilão foi vencido pela Bolognesi Energia S.A., que, em acordo com o Grupo Cobra, tenta repassar o empreendimento ao grupo espanhol.
A decisão no último mês de 2025 reacendeu a esperança. No julgamento realizado pela 3ª Turma do TRF4, foi negado o recurso da Aneel, contra a devolução da outorga do projeto à Bolognesi. Mesmo não sendo definitiva, a decisão aumenta a pressão sobre a agência reguladora, para que libere o projeto e analise o repasse.
Não é algo pequeno que está em jogo. Ao contrário, trata-se do segundo maior investimento da iniciativa privada na história do Rio Grande do Sul. O próprio TRF4, na decisão de dezembro, reconheceu a importância para o desenvolvimento do Estado. Se sair do papel, além da termelétrica no Porto, veremos a construção de um terminal de regaseificação e de um píer no Terminal de Petroquímicos, Granéis Líquidos e Fertilizantes, onde os navios abastecerão a UTE com Gás Natural Liquefeito (GNL), matéria-prima transformada posteriormente em gás natural. GNL que virá de diferentes fontes e países, como Argélia, Nigéria, Catar, Trinidad e outros novos fornecedores, como Peru, Angola e Venezuela.
Na esteira, ainda, todo o potencial atrativo que o projeto oferece, com a possibilidade de angariar novas empresas e indústrias tanto para Rio Grande quanto para Pelotas e outros municípios.
Provavelmente, a pauta do ano até aqui estará à mesa do TRF4 no mês de março. E com ela, o futuro inteiro de uma região ansiosa por investimentos.