Abertura da Colheita do Arroz reúne lideranças e produtores por fortalecimento do setor

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Abertura da Colheita do Arroz reúne lideranças e produtores por fortalecimento do setor

Evento de início da 36ª edição introduziu a temática deste ano que tem foco na conexão entre campo e mercado

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Abertura da Colheita do Arroz reúne lideranças e produtores por fortalecimento do setor
(Foto: Paulo Rossi)

Mesmo após enfrentar um ano de dificuldades, o setor orizícola gaúcho e de diversas partes do país encontra-se em mais uma Abertura da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas. A 36ª edição acontece até dia 26 de fevereiro na Estação Experimental da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão, e conta com uma programação repleta de painéis técnicos que abordam o cenário atual do arroz e a conexão entre campo e mercado.

Com destaque para a aplicação prática de inovações no sistema produtivo arrozeiro, o evento reúne produtores, pesquisadores e representantes para debates técnicos e articulações institucionais voltadas às culturas em terras baixas.

O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Nunes, destaca que o cenário difícil está sendo enfrentado pelo setor, e que o Estado vive uma conjuntura desafiadora, mas, ao mesmo tempo, cheia de oportunidades. A superação destes desafios passa pelo contato com as novas tecnologias e a capacitação técnica, que também é oferecida aos produtores durante o evento. “Cada vez mais nós temos que ter a informação de manejo de rotações de culturas, de integração entre lavoura e pecuária e para isto que foi pensado o tema desta abertura, para que os produtores se preparem para as safras vindouras, tendo mais informação e, assim, mais sustentabilidade dentro da sua propriedade”, garante Denis.

Ao reafirmar a importância da orizicultura para a economia gaúcha, o secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Edivilson Brum, justifica que qualquer dificuldade enfrentada nas lavouras reflete na arrecadação e no desempenho econômico do Estado. “O agro brasileiro alcançou o patamar atual graças à capacidade dos produtores de desbravar, inovar e evoluir ao longo das décadas. Precisamos defender e fortalecer cada vez mais o setor”, diz.

Maior evento de abertura de colheita do País

O potencial de fortalecimento do sistema produtivo arrozeiro, a partir do que é disponibilizado pelo evento, é destacado pelo presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Alexandre Velho. Reforça que a Abertura da Colheita do Arroz está consolidada como um evento técnico profissional e uma grande oportunidade de verificar pessoalmente as tecnologias cultivares, manejos, além de uma troca de experiências entre produtores. Para Alexandre, não tem como o produtor se manter hoje na atividade agrícola, sem participar de eventos como este. “As empresas que hoje participam, que são mais de duzentas, mostram a força desse setor e a importância de estar aqui para verificar pessoalmente todas as atrações. São muitas tecnologias fundamentais para que o produtor tenha condições de se manter sustentável na atividade”, defende o presidente do Irga.

Diminuição da área plantada

A maior concentração do processo de colheita do arroz acontece em março. Apesar dos eventos climáticos adversos que permearam o plantio, como a onda de frio atípica no início do ano, a expectativa é de uma boa produtividade, ainda que se enfrente problemas como o grande endividamento, a extensão de área plantada e o preço pago ao produtor estar abaixo do seu custo de produção.

O presidente da Federarroz reforça a necessidade de uma redução da área plantada, por ainda haver risco do setor enfrentar um estoque muito grande para a safra 2026 e 2027. “Nós trabalhamos o ano passado para que houvesse uma redução de produção nesta colheita de 2026, que com certeza vai se confirmar. Já temos dados estatísticos do Irga que mostram uma redução da produção em torno de 14% no Brasil”, afirma.

Segundo Denis, estão sendo encaminhadas tratativas com o governo federal, a partir de uma reunião que será realizada com o Ministério da Agricultura na próxima semana, onde será apresentado que o setor precisa de auxílios e prorrogações.

Expectativas

Nos três dias de evento estão programados debates sobre macroeconomia, gestão, inovação e tecnologia. A Câmara Setorial Nacional do Arroz também realizará uma reunião, na quinta-feira (26), no auditório Frederico Costa, para discutir temas como a tipificação do produto. A entidade aponta falhas na fiscalização e denuncia a comercialização de arroz tipo 3 rotulado como tipo 1, prática que prejudica a valorização do grão.

Nesta edição houve aumento de 15% no número de estandes, totalizando cerca de 230 expositores. São esperados mais de 21 mil visitantes.

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