A uma semana do fim da concessão, Polo Pelotas já soma 14 mortes em 2026

Trânsito

A uma semana do fim da concessão, Polo Pelotas já soma 14 mortes em 2026

Três dos óbitos ocorreram neste último fim de semana, às vésperas do encerramento do contrato da Ecovias Sul

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Atualizado terça-feira,
24 de Fevereiro de 2026 às 08:40

A uma semana do fim da concessão, Polo Pelotas já soma 14 mortes em 2026
Vínculo com a empresa termina no próximo dia 3, às 23h59min (Foto: Jô Folha)

A sete dias do encerramento do contrato da Ecovias Sul, previsto para as 23h59min da próxima terça-feira, o polo rodoviário de Pelotas já acumula 14 mortes no trânsito somente em 2026.  Três dessas vítimas morreram neste último fim de semana, em ocorrências registradas nas BRs 392 e 116, em trechos sob administração da concessionária.

A sequência de acidentes graves reacende o alerta sobre a segurança nas rodovias da Zona Sul e acirra o debate a respeito da segurança nas estradas no futuro: afinal, como ficará o atendimento de emergência, resgate e sinalização após o fim da concessão?

Uma das notícias mais impactantes das estradas da região envolve a morte de uma criança. Na tarde de domingo, por volta das 12h20min, um menino de dez anos morreu após a saída de pista e capotamento de um veículo no km 507 da BR-116, em Pelotas. O acidente envolveu um carro emplacado no Uruguai. Em levantamento preliminar, foi apontado que o condutor teria dormido ao volante.

Na tarde de domingo, um menino de dez anos morreu após a saída de pista e capotamento de um veículo no km 507 da BR-116 (Foto: Divulgação)

A criança, única ocupante que não utilizava cinto de segurança, foi arremessada para fora do veículo e morreu no local. Além do condutor, outras três pessoas ficaram feridas e foram encaminhadas ao pronto-socorro de Pelotas. O Consulado do Uruguai foi acionado para prestar assistência às vítimas.

Duas mortes e um ferido em Canguçu

Já durante a noite de domingo (22), dois pedestres morreram após serem atropelados por uma caminhonete Amarok, no km 112 da BR-392, em Canguçu, a um quilômetro da praça de pedágio da Glória.

As vítimas foram identificadas como Aldaura Buss, 71 anos, e Gilberto Storch, 60 anos, tia e sobrinho, respectivamente. Eles teriam participado de uma confraternização na comunidade Blass, próxima ao local, e atravessavam a rodovia em direção a um veículo estacionado do outro lado da pista.

Segundo a concessionária, as duas vítimas morreram no local. Os ocupantes do veículo não se feriram. O motorista trafegava em velocidade compatível com o trecho, permaneceu no local, prestou socorro e realizou teste do bafômetro, com resultado negativo.

Ainda em Canguçu, a quatro quilômetros de onde foi o atropelamento, também na BR-392, uma colisão entre dois veículos deixou o condutor de um deles gravemente ferido na madrugada de domingo. A Ecovias Sul informou que a vítima foi socorrida e encaminhada ao pronto-socorro de Pelotas. O motorista do outro carro não se feriu.

Ônibus tomba na BR-293, sem feridos graves

E na manhã desta segunda-feira (23), um ônibus coletivo tombou após estacionar no acostamento no km 16 da BR-293, em Capão do Leão. O coletivo transportava 35 passageiros entre Pelotas e Pinheiro Machado. Duas pessoas sofreram lesões leves. Embora o trecho não esteja sob concessão da Ecovias Sul, uma equipe da empresa foi acionada para realizar a sinalização da via. O acidente trouxe à memória a tragédia registrada no início de janeiro.

Tragédia na BR-116 deixou 11 mortos em janeiro

Em 2 de janeiro, 11 pessoas perderam a vida em tragédia envolvendo ônibus e carreta na BR-116 (Foto: Divulgação)

No começo de janeiro, uma colisão frontal no km 491 da BR-116, em Pelotas, envolvendo uma carreta carregada com areia e um ônibus de linha, deixou 11 mortos e 11 feridos. No caso, um caminhão com bloqueio por GPS estava parado sobre a pista. Ao tentar desviar, a carreta invadiu a pista contrária e atingiu o coletivo. O caso é considerado um dos acidentes mais graves dos últimos anos na região.

Morte em rodovia estadual

Além dos acidentes nas rodovias federais, em 11 de fevereiro, a morte de uma motociclista no km 104 da ERS-265 (fora do Polo Pelotas), em Canguçu, acrescenta ao levantamento de 2026 mais uma fatalidade. Talia Ludtke, de 23 anos, acadêmica de Geografia da UFPel, morreu após colisão transversal entre a motocicleta que conduzia e uma caminhonete.

Atendimento após o fim da concessão

Com exceção do acidente na ERS-265, há registro de atuação ou apoio da Ecovias Sul em todos os casos citados nesta reportagem. Com o encerramento do contrato, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) assume oficialmente a manutenção e a gestão dos trechos das BRs 116 e 392 no polo Pelotas.

O superintendente do DNIT no Rio Grande do Sul, Hiratan Pinheiro, afirmou recentemente que o modelo de atendimento deve seguir o padrão já adotado em trechos não concedidos. “Não haverá mais socorro médico ou mecânico vinculado à concessão, ficando a cargo dos municípios. Em casos de acidentes, a atuação será feita por órgãos como a Polícia Rodoviária Federal (PRF), como já ocorre em rodovias federais não pedagiadas”, explica.

Impacto em tempo de resposta e infraestrutura

Na avaliação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a corporação acredita que conseguirá absorver a demanda dentro de suas atribuições. Há o reconhecimento, porém, de que a retirada da estrutura da concessionária pode trazer reflexos em tempo de resposta.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) se organiza para atender as rodovias após o fim da concessão. A estratégia envolve integração entre municípios, Corpo de Bombeiros, PRF e a Central de Regulação de Urgência de Pelotas. A instituição também manifesta preocupação com o tempo de resposta.

O Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS) também articula ações com prefeituras, Samu, PRF e Dnit para enfrentar o período sem concessão, reconhecendo limitações estruturais e a necessidade de alternativas para manter o atendimento.

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