A aquarelista pelotense Rami Leandro quer ampliar pontes entre arte e comunidade. Depois de uma década atuando no mercado de arte, com passagem pela Academia de Belas Artes de Florença, na Itália, a artista voltou ao Brasil com um plano claro: transformar seu ateliê, no Parque Una, inaugurada em outubro do ano passado em Pelotas, em espaço de formação, acesso e oportunidades, especialmente para crianças da rede pública.
Formada em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e atualmente estudante de Arquitetura na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Rami construiu uma trajetória pouco convencional. Em vez de seguir o caminho mais seguro após a graduação, buscou especialização em Planejamento e Curadoria de Mostras em Florença. Lá, atuou como curadora em galeria voltada ao mercado internacional, onde obras ultrapassavam os 20 mil euros. Neste período, que durou sete anos, aprendeu a lidar com gestão financeira, marketing e feiras de arte, experiência que hoje orienta sua atuação empreendedora.
“Eu sempre tive dois lados: a artista e a curadora”, resume. A disciplina adquirida no circuito europeu moldou sua rotina. Rami trabalha diariamente, organiza projetos, escreve propostas e mantém uma produção constante em aquarela, mais voltada ao patrimônio. A técnica se tornou central em sua pesquisa de arte.
Espaço aberto
O desejo de criar um ateliê aberto surgiu ainda em 2023, quando montou um espaço experimental na Casa Gerânio, no Cassino. A resposta do público revelou uma lacuna: muitas pessoas jamais haviam entrado em um ateliê ou galeria de arte. A constatação reforçou sua intenção de democratizar o acesso.
Quando inaugurou o ateliê no Parque Una, no retorno de mais uma temporada de um ano na Europa, a proposta surgida dois anos antes voltou com força. Atualmente, o espaço, o qual também é sua casa, funciona como ambiente de criação, de visitação, trocas e ações formativas.
Agora, Rami busca parcerias para estruturar dois eixos principais das suas propostas, um deles, claro, é a consolidação do ateliê aberto, como catalisador cultural permanente. O outro projeto se destina a educar para a arte, iniciativa voltada a crianças de escolas públicas.
Crianças no parque
A primeira experiência aconteceu em novembro passado, quando 50 crianças do ensino fundamental, da Emei Jacema Rodrigues Prestes, no Arco Íris, foram primeiro visitadas pela artista. Na sequência, os pequenos visitaram o Parque e o ateliê, onde puderam pintar em telas. “O Una me ajudou a comprar o material, o pessoal do Canto me ajudou com o lanche, conseguimos o ônibus da prefeitura e mobilizar as professoras. Foi uma nova perspectiva para eles, tanto de conhecer o espaço do parque, quanto de entrar no ateliê de um artista, de pintar uma tela e de levar a tela para casa”, relembra.
A ideia é oferecer oficinas, vivências em aquarela e mediações que aproximem os estudantes do fazer artístico, ao menos em seis encontros ao longo do ano. “Se a criança entra num ateliê e percebe que é possível viver de arte, isso já amplia horizontes”, afirma.
Interessados em conhecer, participar e/ou apoiar os projetos de Ramil Leandro podem entrar em contato com artista por meio do perfil @rami_aquarelas, no Instagram.
