A greve dos técnicos e técnicas administrativos em educação (TAEs) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) começou nesta segunda-feira (23) e já impacta o funcionamento de setores da instituição. A paralisação foi aprovada por unanimidade em assembleia realizada no último dia 12 e é organizada pela Associação dos Servidores da Universidade Federal de Pelotas (Asufpel).
Segundo o um dos coordenadores da entidade, Felipe Couto, o movimento cobra o cumprimento integral do acordo firmado com o governo federal em 2024. Embora parte dos pontos tenha sido atendida, como a recomposição salarial de 9% referente à inflação acumulada entre 2016 e 2022 e um reajuste de 5% previsto para abril, a categoria afirma que alguns itens seguem pendentes.
“O acordo era muito extenso e a gente está reivindicando o cumprimento integral”, afirma Couto. Entre as demandas, ele cita a redução da jornada de trabalho e a abertura de concurso público para intérpretes de Libras. Segundo o dirigente, um projeto de lei proposto pelo governo e já aprovado na Câmara incluiria mecanismos que podem ampliar a jornada e aumentar a terceirização de tradutores-intérpretes, o que preocupa a categoria.
Reflexos da paralisação
Na prática, os estudantes já sentem os primeiros reflexos da paralisação. A Coordenação de Bibliotecas informou que todas as bibliotecas da UFPel estão fechadas desde esta segunda. Os materiais emprestados tiveram a data de devolução prorrogada para 6 de abril. Atualizações serão divulgadas no Instagram @sisbi.ufpel.
Couto ressalta que “tudo que depende do nosso trabalho vai ser impactado”. Caso o movimento se estenda até abril, serviços como ajustes de matrícula também podem ser afetados. Setores que atendem diretamente a comunidade externa, como a Odontologia e o Hospital Universitário (HU), devem ter funcionamento alterado.
O calendário acadêmico prevê o encerramento do semestre 2025/2 no próximo sábado (28), com período de exames entre 2 e 7 de março. O início do primeiro semestre de 2026 está programado para 23 de março.
Ainda não há previsão para o fim da greve. Segundo a Asufpel, a expectativa é de que o movimento seja breve, diante do cenário político de ano eleitoral e da possibilidade de novas rodadas de negociação com o governo federal.
