A redescoberta do túmulo de Jacob Rheingantz

Opinião

Ana Cláudia Dias

Ana Cláudia Dias

Coluna Memórias

A redescoberta do túmulo de Jacob Rheingantz

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Há 38 anos

No domingo, 21 de fevereiro de 1988, às 11h, São Lourenço do Sul viveu um momento histórico com a inauguração oficial da galeria que passou a abrigar o túmulo de Jacob Rheingantz, fundador da colônia, na localidade de Coxilha do Barão. A cerimônia foi conduzida pelo então prefeito Ruhd Hubner.

O túmulo havia sido descoberto meses antes, durante reformas na igreja da comunidade. Sob o altar, foi identificada uma construção no subsolo que guardava os restos mortais do colonizador do município, revelação que mobilizou autoridades, familiares e moradores.

Durante o ato inaugural, discursaram o vereador Milton Feddern; Sérgio Pernigotto, bisneto de Jacob Rheingantz, representando a família Rheingantz; e o vice-prefeito Sérgio Lessa, que saudou os presentes. Na ocasião, os descendentes entregaram oficialmente ao prefeito o carimbo utilizado por Jacob Rheingantz para selar contratos de compra e venda de terras, peça histórica que simboliza o processo de formação e desenvolvimento da colônia de São Lourenço.

Figura controversa

“Jacob Rheingantz não era somente o diretor da Colônia (alemã) São Lourenço, era também o proprietário do núcleo, fundado por ele, no 4º Distrito de Pelotas, no sul do Rio Grande do Sul, entre 1857 e 1858. Comerciante experiente, Rheingantz reuniu seus familiares, trazidos, aos poucos, da Europa, para auxiliar na construção da Colônia São Lourenço, até transferir toda sua família para o centro da colônia”, descreve Patricia Bosenbecker, no artigo Colonos nos domínios do diretor Rheingantz: uma revolta no Sul do Brasil, que integrou um dos capítulos da dissertação de mestrado A colônia cercada de estâncias: imigrantes em São Lourenço – RS (1857-1877), na Pós-Graduação em História, da UFRGS.

Jacob e Maria Carolina Rheingantz (Foto: Reprodução)

Apesar da atuação fundamental para a colonização daquelas terras, Rheingantz foi uma figura controversa e, em menos de dez anos, desde a chegada do primeiro grupo de imigrantes, teve de enfrentar a ira dos colonos que o acusavam de descumprir compromissos acordados. Em 1865, por exemplo, um grupo com cerca de 150 pessoas enviou à representação diplomática da Prússia um documento, denunciando as opressões que sofriam de Rheingantz e pedindo providências para que fossem libertados do que chamaram de “escravidão”, segundo o mesmo artigo.

Morte na Alemanha

Rheingantz, chegou a deixar a colônia de São Lourenço, após enfrentar conflitos e até um processo judicial. Posteriormente ele voltou ao local. O empresário morreu em Hamburgo, na Alemanha, no dia 15 de julho de 1877. Sua morte ocorreu no ano em que a colônia já contava com milhares de imigrantes.

Casa do comerciante foi abrigo de escola (Foto: Divulgação)

A casa onde o fundador do município morou, construída em 1860, ainda existe e é considerada uma das primeiras residências da antiga colônia. O prédio chegou a abrigar uma escola, um memorial e um museu da colonização pomerana.

“Hoje não é mais uma escola, hoje a casa faz parte, junto da comunidade evangélica da coxilha do Barão”, explica o escritor Rodrigo Seefeldt, guia rural do projeto Caminho Pomerano São Lourenço do Sul.

Há 100 anos

Morte do político Álvaro Chaves é lembrada pela imprensa de Pelotas

Chaves idealizou o monumento republicano (Foto: Jô Folha)

A imprensa local lamentava a passagem dos 36 anos da morte de Álvaro Chaves, em 22 de fevereiro de 1890. Na época, o político tinha 27 anos. Em 1926, o então deputado federal, Ildefonso Simões Lopes escreveu um extenso artigo relembrando os feitos de Chaves.

O pelotense atuou na política e foi um dos fundadores do Partido Republicano Riograndense e o de Pelotas. Na segunda metade do século 19 foi estudar em São Paulo, onde se envolveu fortemente com a política e os ideais republicanos.

A rua que leva o seu nome foi uma homenagem concedida em 7 de setembro de 1922, no dia do centenário da Independência. Álvaro Chaves era neto do charqueador português, que hospedou o naturalista francês Saint-Hilaire, e filho do político e charqueador Antônio José Gonçalves Chaves.

Discípulo de Saldanha Marinho, foi um dos fundadores da Revista Federal e dirigiu por meses o jornal A Federação, de Porto Alegre, além de ter colaborado com outros órgãos de imprensa no Rio e na capital paulista.

Obelisco

Chaves também foi um dos responsáveis pela construção e inauguração do obelisco a Domingos José de Almeida, no Areal. No cinquentenário da Revolução Farroupilha, em 20 de setembro de 1885, foi erguida a coluna de oito metros de altura, considerado o único monumento erguido ainda no período monárquico que faz referência direta ao ideal republicano.

Fontes: Acervo BBP; wikipedia.org

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