A decisão da Suprema Corte norte-americana de derrubar as tarifas de importação impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teve reflexo positivo na Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs). Nos seis meses de imposição das tarifas, as exportações do Rio Grande do Sul para os EUA somaram US$ 583,6 milhões. O valor é US$ 347,7 milhões inferior ao registrado nos seis meses equivalentes de 2025, o que corresponde a uma queda de 37,3%.
“A decisão da Suprema Corte é um sinal relevante para o reequilíbrio das relações comerciais e pode abrir novas perspectivas para a indústria exportadora gaúcha, embora seja prudente aguardar os desdobramentos e a definição das próximas medidas. Desde a aplicação dessas tarifas, a indústria gaúcha tem sido uma das mais afetadas e continua amargando perdas significativas em sua competitividade e no acesso ao mercado dos EUA”, avaliou o presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier.
A entidade acompanha o tema permanentemente, desde o primeiro dia. Na última semana foram enviadas cartas ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e ao presidente da CNI, Ricardo Alban, solicitando que as negociações bilaterais fossem retomadas para atenuar ou eliminar as tarifas ainda vigentes.
Decisão
Nesta sexta-feira (20), a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou as tarifas sobre produtos importados impostas globalmente pelo presidente Donald Trump. Por seis votos a três, o tribunal manteve a decisão de um tribunal inferior que definiu excesso de autoridade.
A Corte decidiu que a interpretação do governo Trump de que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) concede a ele poder para impor as tarifas interferiria nos poderes do Congresso e violaria um princípio jurídico chamado doutrina das questões importantes.
A doutrina exige que ações do Poder Executivo de “vasta importância econômica e política” sejam claramente autorizadas pelo Congresso. Anteriormente, o tribunal usou o mesmo argumento para barrar ações executivas- chaves aplicadas pelo ex-presidente dos Estados Unidos Joe Biden.
Em voto, o presidente da Suprema Corte, John Roberts, citando a decisão anterior, destacou que Trump deve “apontar uma autorização clara do Congresso para justificar sua afirmação extraordinária do poder de impor tarifas”, acrescentando: “Ele não pode fazer isso”.
A decisão do tribunal veio após uma contestação judicial movida por empresas afetadas pelas tarifas e por 12 estados norte-americanos, a maioria deles governados por democratas, contra o uso sem precedentes da lei por Trump para impor unilateralmente impostos de importação.
Brasil
Em janeiro, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços divulgou que, em meio ao tarifaço imposto por Trump, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 6,6% em 2025, somando US$ 37,716 bilhões, ante US$ 40,368 bilhões registrados em 2024.
No sentido oposto, as importações de produtos norte-americanos cresceram 11,3% no ano passado, alcançando US$ 45,246 bilhões, contra US$ 40,652 bilhões no ano anterior. Com a queda das exportações e a alta das importações, o Brasil encerrou 2025 com déficit de US$ 7,530 bilhões na balança comercial com os Estados Unidos.
Em novembro de 2025, o mandatário estadunidense anunciou a retirada da tarifa adicional de 40% aplicada a uma série de produtos brasileiros. Ainda assim, conforme cálculos do próprio ministério, 22% das exportações do Brasil para os Estados Unidos, o equivalente a US$ 8,9 bilhões, continuam sujeitas às tarifas estabelecidas em julho.
Trump rebate
Em entrevista coletiva, Trump prometeu buscar apoio na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite ao presidente capacidade unilateral de impor tarifas, dispositivo nunca antes usado por um governo americano, e com limite de duração de 150 dias. Segundo ele, o modelo será utilizado para impor uma tarifa global de 10%.
