Sedentarismo cognitivo

Editorial

Sedentarismo cognitivo

O Cara Atleta da Trovão Team, Antônio Marcos de Borba, o “Marcão”, conquistou em novembro a última etapa do Campeonato Gaúcho de Jiu Jitsu, na categoria faixa roxa. No total, Marcão venceu as sete etapas do certame. Agora se prepara…

Sedentarismo cognitivo
(Foto: Jô Folha)

Alunos de duas tradicionais instituições de Ensino Superior de São Paulo, a ESPM e o Insper, foram surpreendidos no retorno às aulas em 2026. A partir deste semestre, os estudantes de graduação não poderão usar celulares nas salas de aula. As regras, que já eram válidas em todo o ensino básico brasileiro desde um decreto presidencial no ano passado, agora parecem ganhar corpo em outras frentes. Não duvide se até empresas passarem a adotar em ambiente de trabalho. No caso das duas universidades paulistas, a exceção vale apenas para casos com autorização do professor e para fins pedagógicos.

Os argumentos são comuns em todos os casos: falta foco para os alunos que ficam rolando suas timelines nas redes sociais, lendo algumas aleatoriedades, respondendo mensagens no WhatsApp e completamente alheios ao professor, aquela figura que fica lá ao fundo fazendo um barulho que talvez até incomode.

A resposta rápida que o Google e o ChatGPT dão, sem precisar aprender, vem ganhando espaço. Afinal, para que ocupar o cérebro com uma informação se a resposta dela vem em poucos segundos através da tela? É um pensamento terrível, mas que parece se expandir. Na argumentação para as novas regras, a ESPM chega ao ponto de dizer que o uso passivo de tecnologias digitais e ferramentas de inteligência artificial podem levar ao “sedentarismo cognitivo”.

O ponto disso tudo é que a distração causada pelas telas tem impactado em tudo, inclusive na nossa capacidade de aprendizado e raciocínio. Afeta no trânsito, no trabalho e até nos relacionamentos. As pessoas conversam menos, prestam menos atenção e parecem cada vez mais sem foco. O sedentarismo cognitivo que a resposta rápida tem gerado preocupa. Corremos risco de nos tornarmos mais burros se não buscarmos reverter isso. É fundamental estimular o debate, o pensamento crítico, a leitura informativa e o pensamento amplo. O digital veio para ficar e isso é irreversível. Mas nos tornarmos robôs viciados em telas é uma escolha pessoal.

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