Regional Toinha busca fortalecer o legado negro no choro pelotense

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Regional Toinha busca fortalecer o legado negro no choro pelotense

Quarteto formado por jovens músicos valoriza compositores locais e homenageia o cavaquinista Toinha

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Atualizado quinta-feira,
19 de Fevereiro de 2026 às 13:41

Regional Toinha busca fortalecer o legado negro no choro pelotense
Grupo se formou em setembro de 2024

Criado em setembro de 2024, o Regional Toinha vem se consolidando como um dos nomes da nova geração do choro em Pelotas. Formado por Octávio Furtado (saxofone), Núbia Kalú (violão sete cordas), Neverton Fernandes (cavaquinho) e Ígor Furtado (pandeiro), o quarteto rapidamente conquistou músicos e apreciadores do gênero na cidade, mantendo uma agenda semanal movimentada. Hoje, o grupo se apresenta no Utopia Casa Bar, às 21h, e na sexta-feira sobe ao palco do Buteko Algo a Mais, às 20h30min.

Segundo Octávio Furtado, o primeiro ano de atividades foi marcado pela receptividade do público e pelo cuidado com o repertório. O grupo prioriza composições de chorões de Pelotas, como o patrono do quarteto, o cavaquinista Toinha, além de Julinho do Cavaco, Avendano Júnior e Trio Sovaco de Cobra. Também integram as apresentações músicas autorais e releituras com arranjos próprios de clássicos de Pixinguinha e Jacob do Bandolim.

Encontro e incentivo

Os músicos se conheceram no projeto Encontro no Choro, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), realizado em parceria com o Clube do Choro, organização independente de chorões da cidade. A iniciativa busca ensinar repertório e incentivar a prática de conjunto. Foi nesse espaço que surgiu a ideia de formar um grupo composto apenas por pessoas negras. “Pelotas é uma cidade negra e a gente não via isso refletido nas rodas de choro”, relata Furtado.

Inicialmente formado como quinteto, o Regional Toinha contou com a participação do clarinetista Jorge Lessa, o “Seu Jorge”, que deixou o grupo ao assumir outros compromissos artísticos. A formação atual se consolidou após o convite feito por Octávio ao irmão, Ígor Furtado, para assumir o pandeiro.

As primeiras apresentações ocorreram entre março e abril de 2025. Um dos momentos mais marcantes, segundo os integrantes, foi a recepção aos alunos da UFPel, quando o grupo foi oficialmente apresentado à comunidade do choro local. “Foi ali que a gente foi acolhido e abraçado pelo pessoal do choro”, afirma Octávio, que além de saxofonista é compositor e agente cultural.

Ancestralidade

Entre os quatro integrantes, Núbia Kalú é a mais atuante no Clube do Choro. Já Octávio e Ígor também desenvolvem o projeto de rap The Furtados. Embora sejam sobrinhos-netos do cavaquinista Arnóbio Madruga Borges, o Toinha, falecido em 2000, o choro não fez parte direta da formação musical de Octávio. “Minhas principais referências eram o rock e o rap. O choro era algo à parte”, conta.

A memória familiar, no entanto, manteve viva a figura do tio. Histórias contadas pela avó, irmã de Toinha, relatavam a dedicação do músico, que passava horas praticando obras como Brasileirinho, por exemplo. Ao escolher o nome do grupo, os integrantes decidiram assumir a responsabilidade de representar e fortalecer o legado do cavaquinista. No repertório está Uma noite no Uruguai, composição de Toinha, resgatada pelo Acervo do Choro de Pelotas. O quarteto também busca registros de uma valsa escrita por ele, cuja melodia ainda é desconhecida pelos músicos.

Novos espaços

Integrantes ainda universitários, na faixa dos 20 aos 30 anos, os músicos percebem uma ampliação dos espaços para o choro na cidade. Em 2025, participaram do Festival Lab Mais, promovido pelo Sesc de Caxias do Sul, sendo o único grupo de choro entre os selecionados. A apresentação marcou o público e, segundo o grupo, houve relatos de emoção ao ver quatro jovens negros ocupando o palco com o gênero.

Gira Cultural

Neste domingo, o Regional Toinha participa da terceira edição da Gira Cultural – Arte Preta que Movimenta o Território, no Quilombo Vó Ernestina, no interior de Morro Redondo. O evento, promovido pelo Comitê de Cultura do RS, integrante do Ministério da Cultura, contará com oficinas gratuitas de formação e apresentações artísticas a partir das 10h.

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