O Grupo de Pesquisas em Economia Azul (GPEA), da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), foi premiado na 10ª edição do Prêmio Antaq, na categoria Artigos Técnico-Científicos. Este é o terceiro ano consecutivo em que a universidade conquista o reconhecimento. O artigo premiado mais recente analisou os impactos das variáveis climáticas nas operações do Porto do Rio Grande.
O estudo é de autoria do egresso do Programa de Mestrado em Economia Aplicada, Alisson Tally Geraldo Fiorentin, e dos professores Gibran Teixeira, Márcio Barbosa, Pedro Henrique Leivas, Rodrigo Gonçalves e Patrízia Abdallah, do Instituto de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis, além da professora Elisa Fernandes, do Instituto de Oceanografia.
O artigo busca compreender quanto variáveis climáticas adversas – como enchentes, nevoeiros, ventos e chuvas – geram de custo de oportunidade para o setor portuário, ou seja, quanto o porto deixa de movimentar em razão dessas condições.
Resultados do estudo
A principal conclusão aponta que as variáveis climáticas adversas aumentam significativamente a probabilidade de paralisações nas operações portuárias. O GPEA estima que esse custo chegue a aproximadamente R$ 20 milhões por ano. “Esse valor serve como referência para que as autoridades portuárias possam avaliar investimentos capazes de minimizar essas perdas”, explica o professor Gibran Teixeira.
Os pesquisadores já estão dialogando com o Arranjo Produtivo Local do setor marítimo sobre os resultados. Segundo Teixeira, investimentos em tecnologia, radares e digitalização portuária contribuem para reduzir esse tipo de custo de oportunidade. “Nossas pesquisas buscam justamente fomentar soluções para tornar o porto cada vez mais adaptado às realidades climáticas – que, sabemos, tendem a se tornar mais frequentes e intensas”, afirma.
Entre as iniciativas discutidas e já em implementação está o Vessel Traffic Service (VTS), sistema que funciona como um radar de monitoramento dentro do porto, auxiliando na gestão do tráfego de embarcações e permitindo uma avaliação mais precisa das condições de operação.
Novo doutorado
O professor também revela a intenção de criar um doutorado na área de Economia Azul na região – algo inédito no Brasil. “Essa premiação nos dá ainda mais condições para avançar nesse objetivo”, destaca. No ano passado, o grupo foi credenciado pela Capes para submeter a proposta de criação do programa. A área concentra-se no uso sustentável dos recursos oceânicos e costeiros para promover crescimento econômico, inclusão social e preservação dos ecossistemas.
Projetos na região
O GPEA integra o grupo responsável pelo suporte econômico ao Planejamento Espacial Marinho da Região Sul, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul. De acordo com Teixeira, os projetos previstos para a região são vistos com otimismo, mas também com cautela. “São investimentos de grande porte, que exigem planejamento e ordenamento territorial”, ressalta.
Segundo ele, a energia eólica offshore já é uma realidade em diversos países e, considerando o potencial natural da Região Sul, há excelentes condições para esse tipo de geração. “Já existe a perspectiva de implementação de uma planta piloto. Não sabemos exatamente em que prazo, pois depende de decisões empresariais, mas é algo que deve acontecer”, afirma.
Para Teixeira, essas iniciativas tendem a impulsionar o desenvolvimento regional, desde que sejam acompanhadas por um forte aparato institucional e por gestores públicos atentos ao ordenamento e à organização do território.
