Trinta e seis dias após a morte do agricultor Marcos Daniel Nörnberg em uma ação da Brigada Militar durante à madrugada, na zona rural de Pelotas, o cenário ainda é de espera de conclusões dos inquéritos da Polícia Civil e da Corregedoria-Geral da Brigada Militar. Há possibilidade de que o prazo para a entrega dos processos se estenda além das datas previstas, sendo que na BM ainda está dentro do limite de 40 dias, e pode prorrogar por mais 20. Na Civil, a previsão é de um mês, com prerrogativa de mais tempo, sendo que a previsão é de entrega à Justiça no início de março.
O produtor de morangos foi morto por volta das 3h do dia 15 de janeiro, quando policiais militares (PMs) invadiram a propriedade que fica às margens da BR-392, em busca de um bando de criminosos que estariam com carros roubados dois dias antes, também em Pelotas. Dezoito militares do 4º BPM e do 5º Batalhão de Polícia de Choque atuaram na ação e estão afastados de suas funções. Imagens de videomonitoramento apontam para uma série de disparos de arma de fogo e contradições sobre se houve confronto ou não, apontamentos que deverão ser esclarecidos ao final das investigações.
A viúva, Raquel Nörnberg, desde então travou uma batalha em busca de justiça e de esclarecimentos, uma vez que ficou durante duas horas dentro da residência ao lado do marido morto, achando que eram bandidos, mesmo com a polícia se identificando. Ela revela que foi humilhada e torturada e busca a responsabilização também por esse crime. Uma possível reconstituição do fato foi cogitada, mas sem a confirmação da Corregedoria da BM que informa apenas que a investigação ainda está em andamento e no aguardo de resultados periciais.
A titular da Delegacia de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), delegada Walquíria Mader, informa que a Polícia Civil também aguarda algumas perícias que estão pendentes, com previsão de conclusão do Inquérito Policial para início de março. “Vai ser avaliado ainda se será apresentada conclusão conjunta com a BM”, comenta.
Mobilização
Enquanto espera, a família do agricultor continua mobilizada e realiza no próximo sábado (21) uma “caminhada por segurança, por justiça e pelo Marcos”, com saída do Altar da Pátria, às 15h, em direção à avenida Ferreira Viana, finalizando no espaço da feira, onde a vítima mantinha há anos uma banca de comercialização de seus morangos. Nesta quinta-feira (19) deve ser marcada a audiência pública a ser realizada em conjunto pela Comissão de Cidadania e Direitos Humanos e de Agricultura, Pecuária, Pesca e Cooperativismo da Assembleia Legislativa do Estado, em Pelotas.
A proposta é chamar para essa audiência representantes do governo do Estado, da Casa Civil, da Secretaria de Segurança Pública do RS, do comandante-geral da Brigada Militar, do Ministério Público, de entidades de direitos humanos e especialistas para que prestem esclarecimentos sobre a operação e os protocolos usados pela polícia. O deputado Adão Pretto, que preside a CCDH, garante que o colegiado acompanha e continua cobrando do Comando Militar explicações sobre este e outros casos de violência.
