Polícia Civil deve concluir inquérito sobre morte de agricultor no início de março

Investigação

Polícia Civil deve concluir inquérito sobre morte de agricultor no início de março

Marcos Daniel Nörnberg morreu no dia 15 de março, durante ação da Brigada Militar em sua propriedade

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Atualizado quarta-feira,
18 de Fevereiro de 2026 às 15:27

Polícia Civil deve concluir inquérito sobre morte de agricultor no início de março
(Foto: Jô Folha)

Trinta e seis dias após a morte do agricultor Marcos Daniel Nörnberg em uma ação da Brigada Militar durante à madrugada, na zona rural de Pelotas, o cenário ainda é de espera de conclusões dos inquéritos da Polícia Civil e da Corregedoria-Geral da Brigada Militar. Há possibilidade de que o prazo para a entrega dos processos se estenda além das datas previstas, sendo que na BM ainda está dentro do limite de 40 dias, e pode prorrogar por mais 20. Na Civil, a previsão é de um mês, com prerrogativa de mais tempo, sendo que a previsão é de entrega à Justiça no início de março.

O produtor de morangos foi morto por volta das 3h do dia 15 de janeiro, quando policiais militares (PMs) invadiram a propriedade que fica às margens da BR-392, em busca de um bando de criminosos que estariam com carros roubados dois dias antes, também em Pelotas. Dezoito militares do 4º BPM e do 5º Batalhão de Polícia de Choque atuaram na ação e estão afastados de suas funções. Imagens de videomonitoramento apontam para uma série de disparos de arma de fogo e contradições sobre se houve confronto ou não, apontamentos que deverão ser esclarecidos ao final das investigações.

A viúva, Raquel Nörnberg, desde então travou uma batalha em busca de justiça e de esclarecimentos, uma vez que ficou durante duas horas dentro da residência ao lado do marido morto, achando que eram bandidos, mesmo com a polícia se identificando. Ela revela que foi humilhada e torturada e busca a responsabilização também por esse crime. Uma possível reconstituição do fato foi cogitada, mas sem a confirmação da Corregedoria da BM que informa apenas que a investigação ainda está em andamento e no aguardo de resultados periciais.

A titular da Delegacia de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), delegada Walquíria Mader, informa que a Polícia Civil também aguarda algumas perícias que estão pendentes, com previsão de conclusão do Inquérito Policial para início de março. “Vai ser avaliado ainda se será apresentada conclusão conjunta com a BM”, comenta.

Mobilização

Enquanto espera, a família do agricultor continua mobilizada e realiza no próximo sábado (21) uma “caminhada por segurança, por justiça e pelo Marcos”, com saída do Altar da Pátria, às 15h, em direção à avenida Ferreira Viana, finalizando no espaço da feira, onde a vítima mantinha há anos uma banca de comercialização de seus morangos. Nesta quinta-feira (19) deve ser marcada a audiência pública a ser realizada em conjunto pela Comissão de Cidadania e Direitos Humanos e de Agricultura, Pecuária, Pesca e Cooperativismo da Assembleia Legislativa do Estado, em Pelotas.

A proposta é chamar para essa audiência representantes do governo do Estado, da Casa Civil, da Secretaria de Segurança Pública do RS, do comandante-geral da Brigada Militar, do Ministério Público, de entidades de direitos humanos e especialistas para que prestem esclarecimentos sobre a operação e os protocolos usados pela polícia. O deputado Adão Pretto, que preside a CCDH, garante que o colegiado acompanha e continua cobrando do Comando Militar explicações sobre este e outros casos de violência.

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