Pelotas e Rio Grande registram aumento de focos do mosquito da dengue

Saúde pública

Pelotas e Rio Grande registram aumento de focos do mosquito da dengue

Mesmo com baixo número de casos, municípios somam 280 focos do Aedes aegypti e reforçam ações de prevenção

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Pelotas e Rio Grande registram aumento de focos do mosquito da dengue
(Foto: Jô Folha)

Apesar do baixo número de casos confirmados de dengue, o aumento de focos do mosquito Aedes aegypti preocupa na Região Sul. Pelotas e Rio Grande somam, juntas, 280 focos do inseto. O cenário reforça o alerta para a importância das medidas de prevenção e controle do vetor, como a eliminação de criadouros e a adesão à vacinação, disponível para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em ambas as cidades.

Em Pelotas, foram registrados dois casos de dengue até o momento. O primeiro foi autóctone, contraído no próprio município, em janeiro. O segundo trata-se de um morador que retornou infectado após viagem, confirmado na quarta-feira (11). Ao todo, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) recebeu 55 notificações de casos suspeitos – 44 em janeiro e 11 nos primeiros dez dias de fevereiro. Desses, 37 foram descartados e 17 permanecem em investigação.

O cenário é semelhante ao do mesmo período do ano passado. Segundo a diretora do Departamento de Vigilância em Saúde da SMS, Vera Neto, o pico de diagnósticos costuma ocorrer entre abril e maio.

Se por um lado os casos seguem sob controle, por outro o número de focos preocupa. O município já identificou 222 registros do mosquito, índice considerado expressivo pela equipe técnica. Mesmo com trabalho intensificado, as condições climáticas favorecem a proliferação. “A multiplicação está muito rápida este ano, principalmente por causa das chuvas frequentes e das altas temperaturas. A previsão ainda é de calor, o que torna a situação delicada”, afirma Vera Neto.

Diante disso, as equipes seguem realizando mutirões em parceria com a Secretaria de Serviços Urbanos. “Mantemos esse trabalho preventivo desde janeiro do ano passado e intensificamos as ações ao longo do período”, destaca a diretora, que também reforça o apelo à população. “É fundamental cuidar dos pátios e evitar qualquer acúmulo de água limpa”.

Rio Grande permanece sem casos

Até a semana epidemiológica nº 5, Rio Grande não registrou casos positivos de dengue. Doze notificações suspeitas foram descartadas e uma permanece em análise. Também há dois casos suspeitos de chikungunya em investigação. A principal preocupação é o aumento dos focos em relação ao ano passado. Já são 58 identificados em diferentes bairros, com maior concentração no Distrito Industrial e na região Central.

Para conter a proliferação, o município intensificou as ações dos agentes de combate às endemias, com visitas domiciliares, inspeções em pontos estratégicos – como borracharias, ferros-velhos e cemitérios – e monitoramento de armadilhas. Também são promovidas atividades educativas em feiras livres, escolas e grupos comunitários.

A superintendente da Vigilância em Saúde, Michele Meneses, reforça o papel da população. “A forma mais eficaz de prevenção é a remoção de possíveis criadouros, ou seja, evitar ou eliminar recipientes que possam acumular água limpa. O descarte adequado de resíduos também é fundamental, não apenas para prevenir arboviroses, mas outras doenças”, ressalta.

Vacinação contra dengue

Pelotas e Rio Grande estão entre os municípios contemplados com as primeiras doses da vacina contra a dengue. Em ambas as cidades, a imunização é destinada, neste primeiro momento, ao público de 10 a 14 anos. Pelotas recebeu 2,8 mil doses, enquanto Rio Grande foi contemplado com 2 mil. A quantidade, no entanto, não é suficiente para atender toda a população nessa faixa etária.

Segundo Vera Neto, Pelotas não é considerada prioridade neste momento devido à redução expressiva no número de casos. Em 2025, o município encerrou o ano com 56 registros, número significativamente inferior aos 618 casos contabilizados no ano anterior. “Por isso, a vacina não se torna tão prioritária para o município quanto para outras cidades. Essa redução demonstra que o trabalho da saúde está sendo realizado de forma eficaz”, afirma.

De acordo com o Programa Nacional de Imunizações (PNI) e o Ministério da Saúde, a escolha da faixa etária de 10 a 14 anos ocorre porque esse grupo representa o maior número de hospitalizações por dengue, depois da população idosa. A ampliação para outras faixas etárias será feita de forma gradativa, com previsão de início pela população de 59 anos e avanço progressivo até alcançar pessoas a partir de 15 anos.

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