Com a proposta de levar esporte, lazer e recreação aos bairros de Pelotas, o programa Vida Ativa, da Prefeitura, beneficia atualmente mais de três mil pessoas de diferentes idades. Mais do que um espaço de prática esportiva, o projeto se consolidou como um ambiente de convivência e integração social, frequentado majoritariamente por mulheres com mais de 50 anos. Em meio aos movimentos das aulas, a energia e os sorrisos das participantes traduzem o impacto positivo da iniciativa nas comunidades.
Criado em 2013 pela então Secretaria Municipal de Educação e Desporto, o programa oferece atividades físicas gratuitas e acessíveis, como ritmos, pilates, treinamento funcional, ginástica e futsal, entre outras modalidades. As ações acontecem semanalmente, em núcleos instalados dentro das próprias comunidades. Atualmente vinculado à Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Juventude, o Vida Ativa conta com 3.130 alunos matriculados, distribuídos em 46 núcleos e 107 turmas ativas.
O perfil do público atendido revela a dimensão social do projeto: 70% são mulheres, 72,8% têm mais de 50 anos e 69,1% possuem renda familiar de até dois salários mínimos. Além disso, 24% dos participantes moram sozinhos, dado que reforça o papel do programa na promoção do convívio e no combate ao isolamento social. Em 2025, o Vida Ativa também realizou 64 atendimentos assistemáticos em eventos, alcançando mais de 30 mil pessoas.
A coordenadora do programa, Natália Bonow, explica que a abertura de novos núcleos ocorre, na maioria das vezes, por demanda da própria comunidade. “Geralmente, moradores, associações ou até mesmo a UBS do bairro entram em contato manifestando interesse”, afirma. A comunidade organiza o espaço, e o programa disponibiliza o professor, define os horários e inicia as atividades. Quando há grande procura, é possível ampliar a oferta, inclusive com mais dias de atendimento.
Movimento que transforma vidas
No bairro Fragata, por exemplo, existem 11 núcleos, que somam 14 turmas. Um deles funciona na Sociedade Esportiva Cultural Juventus (SEC Juventus), onde apenas uma turma reúne mais de 60 alunos. O núcleo foi reativado após demanda da UBS Dom Pedro, motivada pelo interesse de um grupo de idosos e hipertensos em participar das atividades.
Para a participante Evanilda Martins, de 60 anos, os resultados foram rápidos e significativos. “Eu me agachava e precisava me segurar para conseguir levantar. Hoje, me agacho e levanto sozinha, com facilidade. Tinha dificuldade até para pentear o cabelo”, relata. “O projeto me deu outra vida.”
Natália destaca que, embora algumas turmas estejam registradas como aulas de ginástica, os professores adaptam as atividades conforme o perfil do grupo. “Nos núcleos comunitários, costumamos mesclar modalidades, principalmente ritmos, que engajam bastante as alunas e estimulam a socialização. Já no ginásio, as modalidades tendem a ser mais específicas”, explica.
Vida ativa, mente ativa
Segundo a professora Fernanda Grill da Silva, muitas de suas alunas têm mais de 70 anos. Entre elas está Cecília Marques Silveira, de 91 anos, que caminha cerca de três quadras para participar das aulas na SEC Juventus. “Participo há anos e gosto muito. Me sinto muito bem aqui. Gosto dos exercícios, me dou bem com todo mundo e a professora é muito boa”, conta.
Ao ser elogiada pela flexibilidade e disposição, dona Cecília ri e responde com simplicidade: “A gente tem que se mexer, né?”. O desenvolvimento social e cognitivo são outros aspectos destacados pela coordenadora, professora e até pelas alunas. “Não é só exercício físico – mexe muito com a cabeça também. O convívio, as conversas, isso faz muito bem para nós. Ficamos mais ativas, mais alegres e fazemos amizades”, ressalta a aluna Leiva Maria Caetano, de 67 anos.
Para o recentemente empossado secretário de Esporte, Lazer e Juventude, Paulo Lobo, o contato direto com o público é marcante. “Hoje acompanhamos a dona Cecília, de 91 anos, extremamente engajada. Ela nos contou o quanto o programa transformou a vida dela, tanto na saúde física – com redução no uso de medicamentos – quanto no bem-estar mental, pelo convívio com as colegas”, relata.
Fernanda, frequentemente elogiada pelas alunas, atribui o engajamento ao vínculo construído ao longo do tempo. “Eu gosto do que faço e acompanho o projeto há bastante tempo. Para mim, é uma forma de trazer mais vida para elas – e isso é muito gratificante. A gente percebe a transformação na autoestima, na saúde e no convívio social”.
Investimento e ampliação
A expectativa da gestão é expandir o Vida Ativa para mais de 60 núcleos até o próximo ano. Na quinta-feira (12), a prefeitura de Pelotas anunciou o primeiro reajuste nos valores do programa, com proposta de investimento anual de aproximadamente R$ 1,5 milhão, incluindo cerca de R$ 191 mil destinados à alimentação. A medida também autoriza a contratação de coordenadores e agentes de Educação Física, além da ampliação e descentralização das atividades para novas organizações.
Pessoas interessadas em participar das turmas ou comunidades que desejam solicitar a implantação de novos núcleos podem entrar em contato com a secretaria do programa, cuja sede funciona no Ginásio Municipal Professor Orocindo Azevedo Karosso, na rua Álvaro Chaves, nº 2000, ou pelo telefone (53) 3199-8610.
