O seu “eu” de oito anos estaria orgulhoso

Opinião

Helena Tomaschewski

Helena Tomaschewski

Estudante de Direito

O seu “eu” de oito anos estaria orgulhoso

Por

Ao longo da vida adulta, começamos a olhar para frente o tempo inteiro. Qual o próximo passo? O que me falta conquistar? O diploma certo, o relacionamento certo, a casa, filhos. E quando não estamos olhando para frente, olhamos para os lados e vemos tudo o que os outros já têm, subindo mais a pressão da conquista.

Ultimamente tenho pensado muito sobre como o incentivo ao alto nível de produtividade prejudica a nossa saúde mental como jovens: acordar às 5 da manhã, exercício físico, creatina, corrida, preparar a marmita, estudar, academia, trabalho, faculdade, ler antes de dormir, tomar 3 litros de água, não beber, terapia…. Eu poderia seguir com essa lista. Quando não realizamos alguma dessas coisas excelentemente, sentimos o peso do fracasso como ser humano. A mediocridade morreu e foi enterrada junto com o tédio. Agora, é a época do “wellness”, do bem-estar excessivo. É óbvio que a saúde é crucial para as nossas vidas, mas até que ponto isso se torna exaustivo?

Eu descobri que tinha epilepsia no começo do ano passado. Um mês de UTI. Para mim, qualquer minuto sem falar sobre qualquer dos assuntos citados acima já é um ótimo minuto. Eu, mais do que ninguém, quando estava naquela cama, nunca quis tanto nunca mais ouvir a palavra wellness e tudo relacionado a ela.

Meu ponto é que obviamente temos que nos cuidar. Temos a melhor medicina que já conquistamos. Sabemos o que é bom e o que não é. Mas precisamos nos sujeitar ao nosso papel de jovem, que ainda não sabe viver, que ainda aguenta uma festa até as 5 da manhã, que tudo bem ainda ganhar mesada, pois não conseguiu um estágio, que tudo bem procrastinar. Está tudo bem em ser medíocre.

Agora, fazendo o exercício que parece extinto: olhar para trás.

A minha eu de 8 anos me acharia o máximo. Amaria as minhas roupas, para começar. Ficaria feliz com as minhas aquarelas e que eu tenho uma coluna no jornal A Hora do Sul. Que eu passei para Direito na Universidade Federal de Pelotas. Que eu namoro, que eu sigo com as mesmas amigas.

A verdade é que não estou atrasada, só tenho 21 anos e estou aprendendo a viver, com a minha eu de oito anos sempre ao meu lado, me admirando.

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