Nicole Silveira encerrou sua segunda participação em Jogos Olímpicos de Inverno com o 11º lugar no Skeleton Feminino, em Milano-Cortina, na Itália, superando a 13ª colocação obtida nos Jogos de Pequim, em 2022.
A atleta nascida em Rio Grande disputou neste sábado (14) as duas últimas descidas, completando o percurso com os tempos de 58.11 e 57.93, respectivamente. Somadas as quatro descidas, Nicole registrou o tempo final de 3:51.82.
“Foi inesquecível, surreal. Queria chegar aqui e ser consistente. Foi isso que fiz hoje. Consigo olhar e dizer que sou uma das melhores do mundo. Esses últimos quatro anos tiveram um aumento na competitividade do skeleton feminino. É um 11º lugar que eu pensava ser impossível”, destacou Nicole, em entrevista ao SporTV.
A medalha de ouro ficou com a austríaca Janine Flock (3:49.02). A prata foi da alemã Susanne Kreher (3:49.32), e o bronze ficou com a também alemã Jacqueline Pfeifer (3:49.46). Esposa de Nicole Silveira, a belga Kim Meylemans terminou na sexta posição, com tempo final de 3:50.67. Ao todo, 25 atletas participaram do skeleton nesta edição dos Jogos.
O skeleton
Na modalidade, o atleta se lança em um trenó composto por metal e plástico e desce a pista de cabeça. Os equipamentos necessários são um capacete de fibra de vidro, sapatilhas com miniagulhas na sola para dar tração durante a largada e um speed suit, espécie de macacão com tecido desenvolvido para reduzir o atrito.
Assim como o bobsled, a origem do esporte remonta ao século 19, com a popularização dos trenós como meio de transporte em regiões montanhosas. Alemanha, Áustria, Suíça, Reino Unido e Canadá estão entre os países de maior destaque nas competições internacionais, mas a modalidade vem se expandindo para outras nações, como Coreia do Sul, Austrália e o próprio Brasil.
Cada pista possui um trajeto diferente, com sinuosidade e comprimento específicos. A posição do corpo e os movimentos com a cabeça e os ombros, além da pressão exercida nas placas do trenó, são determinantes para direcionar o atleta durante a descida.
Primeiro ouro do Brasil em Olimpíada de Inverno
A história foi escrita em Bormio, cidade nos Alpes italianos, próxima à divisa com a Suíça. Na manhã deste sábado, Lucas Pinheiro Braathen conquistou a primeira medalha do Brasil em uma Olimpíada de Inverno. E logo a dourada. O esquiador venceu a prova do slalom gigante nos Jogos de Milão e Cortina.

(Foto: Rafael Bello | COB)
O slalom gigante consiste em duas descidas em um percurso com mastros fincados na neve, as chamadas “portas”, separadas por cerca de 25 metros. O esquiador deve passar entre eles. Vence quem obtiver a menor somatória de tempo.
Nascido em Oslo, capital da Noruega, mas de mãe brasileira, Lucas realizou as descidas em 2min25s, ficando 58 centésimos à frente do suíço Marco Odermatt, que levou a prata. O bronze também foi para um atleta da Suíça, Loic Meillard.
Lucas assumiu a liderança na primeira descida, ao concluir o percurso em 1min13s92. Apesar de fazer apenas o 11º melhor tempo na descida seguinte (1min11s08), a marca foi suficiente para o brasileiro se manter à frente dos suíços Odermatt e Meillard.
Trajetória
Aos 25 anos, Lucas defendeu a Noruega até 2023, quando anunciou que iria parar de competir. Ele disputou a Olimpíada de Inverno de Pequim, na China, em 2022, como atleta nórdico, mas não completou as provas que participou.
Em 2024, voltou atrás na ideia de aposentadoria e procurou o Brasil. No ano seguinte, passou a representar a terra natal de sua mãe, conquistando pódios históricos em etapas de Copa do Mundo de esqui alpino, culminando no ouro inédito em Bormio, neste sábado.
Antes de Lucas, o melhor resultado do Brasil em Olimpíadas de Inverno era de Isabel Clark. Nos Jogos de Turim, também na Itália, há 20 anos, a carioca ficou em nono no snowboard cross.
Outro a competir na prova deste sábado foi Giovanni Ongaro. Também filho de mãe brasileira, mas nascido em Clusone, na Itália, ele somou 2min34s15 nas descidas, ficando na 31ª posição.