Coordenador da Aliança Pelotas destaca desafios e oportunidades para a cidade

Entrevista

Coordenador da Aliança Pelotas destaca desafios e oportunidades para a cidade

Raphael Morales aponta foco sobre Plano Diretor, atração de investimentos e representatividade política da Zona Sul

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Atualizado quinta-feira,
12 de Fevereiro de 2026 às 09:05

Coordenador da Aliança Pelotas destaca desafios e oportunidades para a cidade
Morales também é vice-presidente do Secovi Zona Sul. (Foto: Arquivo pessoal)

O empresário Raphael Morales é o novo coordenador da Aliança Pelotas, movimento que reúne dez entidades associativas do município. Ele listou os desafios e as oportunidades para o desenvolvimento, destacando a importância da atualização do Plano Diretor, da atração de investimentos e do fortalecimento da representatividade política da Zona Sul. O cargo era ocupado anteriormente por Jorge Almeida.

O grupo é formado por entidades representativas do setor produtivo do município, com o objetivo de atuar de forma articulada junto ao poder público na defesa de pautas estratégicas para o desenvolvimento econômico e social da cidade e da região. O atual presidente da entidade, Raphael Morales, é sócio-proprietário da Raphael Imóveis. Também é vice-presidente do Secovi Zona Sul.

O ramo imobiliário em Pelotas é uma praça relevante?

Pelotas é uma referência nacional no mercado imobiliário. Muito disso tem relação com a sinergia entre o poder público e a iniciativa privada. Somos referência quando o assunto é tramitação de projetos e viabilidade para novos empreendimentos. Em 2024, o município ficou em terceiro lugar na região Sul do Brasil em número de lançamentos do programa Minha Casa, Minha Vida. Somos referência em condomínios fechados. No ano passado, tivemos o lançamento de uma incorporadora de Goiás, que iniciou um condomínio e prevê mais três projetos. O município conta com dois bairros planejados que são referências nacionais, como o Parque Una, cujo modelo vem sendo replicado em grandes centros do país, e o bairro Quartier, projeto assinado por um dos arquitetos mais renomados do Brasil, Jaime Lerner. Recentemente, uma pesquisa apontou Pelotas como a cidade com o menor valor do metro quadrado entre 57 municípios analisados. Esse dado está diretamente ligado à forte presença da habitação popular, que representa um grande volume de lançamentos na cidade. Esse número não desvaloriza o mercado imobiliário local, pelo contrário, ele evidencia a pujança do setor, marcada pelo alto volume de empreendimentos populares, sem deixar de lado os lançamentos de alto padrão.

A Aliança Pelotas esteve reunida com o prefeito Fernando Marroni na semana passada. O que representou esse movimento?

Foi uma reunião muito positiva. Conseguimos alinhar diversos pontos e perceber que as convergências são muito maiores do que as divergências. Existem ajustes que consideramos importantes para o desenvolvimento da cidade e isso foi colocado ao prefeito. Já temos uma nova reunião no dia 19, com o presidente da Câmara de Vereadores, Michel Promove, para apresentar nossas pautas, ouvir suas considerações e fortalecer esse movimento de aproximação. A expectativa é de manter esse diálogo positivo e avançar em parcerias. No último ano, tivemos a questão dos decretos, que acabou provocando conflitos entre o setor produtivo, a Prefeitura e a Câmara de Vereadores. Eles não afetam apenas um segmento específico, mas a economia como um todo. Foi nesse contexto que tratamos do tema da segurança jurídica. O prefeito compreendeu o nosso posicionamento e já estamos dialogando sobre construções conjuntas para criar um ambiente mais favorável ao setor produtivo. Tenho convicção de que a conversa com o presidente da Câmara seguirá no mesmo sentido.

Na edição de segunda-feira do jornal A Hora do Sul, debatemos o futuro do Calçadão a partir do fechamento de lojas na região central. Isso preocupa a Aliança Pelotas?

Nos preocupa bastante. Nesta semana, tivemos uma reunião com o secretário de Desenvolvimento, Jesué. Uma das pautas é sobre essa questão e passa diretamente pelo Plano Diretor. É fundamental pensar um olhar estratégico para o Centro e o Porto, áreas cruciais que acabam ficando em segundo plano. Uma revisão bem conduzida do Plano Diretor pode reverter parte desse movimento negativo. Existem fatores importantes a serem considerados, como o grande número de imóveis tombados nessas regiões e a falta de incentivos e de ajustes urbanísticos. Esse mesmo olhar precisa ser direcionado ao Laranjal, onde temos avenidas amplas e bem estruturadas que poderiam comportar empreendimentos com um pouco mais de verticalização e maior taxa de ocupação. Esses estímulos, aliados a medidas mitigatórias, ajudam a melhorar a infraestrutura da região, como saneamento, drenagem e pavimentação. Além disso, existem outras oportunidades como a implantação de quiosques mais estruturados. O mesmo vale para a região do Porto, que poderia seguir exemplos de outras cidades que revitalizaram essas áreas por meio de parcerias com a iniciativa privada.

No teu entendimento, a Zona Sul ainda precisa aprender a trabalhar de forma mais unida em torno de grandes pautas?

Existe aquela ideia de que a grama do vizinho é sempre mais verde, mas é importante lembrar que a nossa região já protagonizou movimentos que foram referência no Estado. Um exemplo claro é a mobilização em torno da duplicação da BR-116, que nasceu em Pelotas e teve a Aliança Pelotas como uma das principais articuladoras. Embora a obra não tenha avançado no ritmo que todos gostariam, ela está acontecendo. Isso mostra que, quando a região se une, os resultados aparecem. Ao mesmo tempo, é inegável que outras regiões conseguem se articular melhor politicamente, e isso precisa servir de exemplo para nós, especialmente pensando no pleito eleitoral de 2026. Ampliar a representatividade política da Zona Sul é um grande desafio, mas também um objetivo central da Aliança Pelotas. Não é razoável que Pelotas, com o número de eleitores que possui, com as lideranças políticas que tem, não tenha um deputado estadual e apenas um deputado federal. Isso mostra que precisamos fazer melhor o dever de casa. Podemos e devemos trabalhar para ampliar essa representação.

Qual recado você deixa para a audiência, especialmente para empreendedores e empresários, neste início de ano?

Acreditem em Pelotas. Temos muita coisa boa e muito a ser valorizado. Para termos um ambiente mais favorável, tanto para os negócios quanto para a vida em sociedade, esse movimento precisa da participação de todos. Não depende apenas do prefeito, dos vereadores ou dos empresários. É um esforço de toda a população. Desde atitudes simples, como cuidar da árvore em frente à sua casa ou não jogar lixo na rua. São pequenos gestos que constroem um estado de espírito de valorização da cidade e de busca por dias melhores.

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