Só o barulho resolve

Editorial

Só o barulho resolve

Só o barulho resolve
(Foto: Divulgação)

Um ministro do Superior Tribunal de Justiça, chamado Marco Buzzi, foi afastado por conta da denúncia de uma jovem, que o acusa de importunação sexual. Ele, de 68 anos, teria apalpado a jovem, filha de amigos dele, enquanto tomavam banho de mar em um encontro de famílias. A nível global, o caso Jeffrey Epstein ganha novas páginas horripilantes de casos de exploração sexual a cada dia e figurões vão caindo aos poucos pelo envolvimento, inclusive mega empresários globais e membros da realeza e de governos. Por aqui, no Rio Grande do Sul, chegamos a 13 feminicídios no ano.

Todos esses casos deixam claro que a violência contra as mulheres não é feita por casos isolados. É uma questão geral, globalizada, que acontece desde a própria casa até os grandes palácios mundo afora. Passa por uma cultura de machismo que permeia o âmago da nossa sociedade e, principalmente, pela sensação de propriedade que muitos homens têm diante das mulheres. Diante disso tudo, a sensação que toma conta é a de impotência. Mas isso está errado. Só o barulho resolve. Falar, falar, falar, falar e falar mais um pouco. Para que esse tipo de discussão tome conta da sociedade e seja jogado à luz enquanto existir.

Nenhuma mulher pode ser sequestrada para ser vendida para exploração sexual. Nenhuma mulher pode ser morta por ter acabado um relacionamento. E a gente sabe que hoje mesmo, talvez enquanto isso está sendo escrito, talvez enquanto isso está sendo lido, esses horrores vão se repetir. Há quem vai bradar que uma denúncia falsa acaba com a vida de um homem. Mas essas são raras, enquanto vidas de mulheres são acabadas todos os dias por casos que são silenciados.

Formar uma nova geração com nova consciência é fundamental. Essa semente deve ser plantada para o futuro. Mas o problema de hoje precisa ser encarado também, com urgência. Ações mais rígidas dos órgãos de segurança, fiscalização mais severa e, principalmente, mais gente “metendo a colher” quando nota algum sinal de alerta. É, hoje, o grande problema social coletivo que vivemos porque não para de morrer gente. É preciso mudar, para ontem.

Acompanhe
nossas
redes sociais