Na primeira reunião da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa (CCDH) deste ano, Raquel Nörnberg, viúva do produtor rural Marcos Nörnberg, morto em ação da Brigada Militar em Pelotas, no dia 15 de janeiro, foi ouvida pelos deputados estaduais. Os trabalhos foram conduzidos pelo presidente da CCDH, deputado Adão Pretto Filho (PT), que afirmou que o grupo fará audiência pública em Pelotas.
Raquel, que estava com o marido, relatou aos deputados que depois de morto, ela foi submetida a maus tratos e tortura pelos agentes da BM, tendo permanecido mais de uma hora ajoelhada em cacos de vidro, “para confessar o que eu não tinha conhecimento”. Outro fato estranho apontado pela viúva foi a presença da Samu no local, 28 minutos após o ocorrido, sem o uso de sirenes e sem prestar atendimento para ela. Ao lado dos filhos Fernanda e Rodrigo, e acompanhada do advogado Marcelo Oliveira de Moura, ela reafirmou que sofreu tortura.
Raquel pediu transparência na investigação pela Corregedoria da BM, como a identificação de quem autorizou a operação. Também pediu que o uso das câmeras corporais seja incorporado pela corporação, “se estivessem em uso, essa operação não teria sido feita”, afirmou. Outra ponderação foi a respeito do exame toxicológico dos policiais militares. A família está liderando um abaixo-assinado, e Raquel pediu o apoio dos deputados da CCDH, a respeito do ocorrido e da sequência de irregularidades praticadas pela operação militar, a ser entregue ao governador Eduardo Leite (PSD).
