Novas regras na telefonia brasileira trouxeram prejuízo a iniciativa pelotense

Opinião

Ana Cláudia Dias

Ana Cláudia Dias

Coluna Memórias

Novas regras na telefonia brasileira trouxeram prejuízo a iniciativa pelotense

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Atualizado quarta-feira,
11 de Fevereiro de 2026 às 11:50

Há 135 anos

O empresário José Bernardino de Souza perdeu em 1891 a concessão que tinha para operar a empresa Centro Telephonico Pelotense, criada por ele de forma pioneira no município. Três anos antes, em 1888 a Câmara Municipal concedeu a Souza permissão para instalar linhas telefônicas na cidade.

A medida, que acabou com a primeira empresa do setor, totalmente local, seguia as mudanças ocasionadas pela instalação do regime Republicano no Brasil, a partir de 15 de novembro de 1889. De acordo com as novas normas, caberia aos estados a regulamentação do setor de telefonia. Foram ainda estabelecidas as respectivas esferas de competência: o governo federal cuidaria dos serviços interurbanos interestaduais; o governo estadual dos serviços interurbanos municipais e estaduais e o governo municipal, dos serviços restritos à área do município.

Os direitos do Centro Telephonico Pelotense passaram à Companhia Industrial e Construtora do Rio Grande do Sul, que prestava serviços em Pelotas, Rio Grande e Porto Alegre. Quatro anos depois, a concessão foi vendida à Empreza União Telefônica.

Outra iniciativa

A Empreza União Telefônica, com sede administrativa no município, herdou o privilégio de prestar o serviço às três principais cidades do Estado (Porto Alegre, Rio Grande e Pelotas) e o espólio da antiga concessionária, incluindo propriedades e material de manutenção, entre outros. Porém, a União Telefônica enfrentou crises financeiras e seus acionistas decidiram pela fusão com a Companhia Telefônica Riograndense, criada em 1908, por Juan Ganzo Fernandez, com sede em Porto Alegre.

Polo econômico, Pelotas conheceu os serviços dessa companhia ainda em 1907, quando muitos proprietários da Empreza União Telefônica adquiriram os telefones da empresa Ganzo, Durruty & C. ─ criada em 1902 e associada a grupos financeiros do Uruguai. Em 1907, a maioria dos assinantes pelotenses da Ganzo, Durruty & C era vinculada ao comércio, serviços e indústrias. O telefone era mais utilizado para conectar as residências ao local de trabalho dos empresários locais. Em 1912, a Companhia Telefônica Riograndense realizou a primeira conexão de longa distância entre Porto Alegre e Pelotas.

CTMR

Entretanto, o serviço deixava a desejar e em 1918 os clientes reclamavam da demora nas manutenções da rede e dos preços altos cobrados pela empresa. O descontentamento motivou a criação de uma nova empresa local. Em 1919, em reunião na sede da Associação Comercial de Pelotas, o então diretor do Banco Pelotense, Alberto Rosa, em conjunto com outros agentes locais, fundou a Companhia Telefônica Melhoramento e Resistência, cujos objetivos eram “melhorar” o serviço e “resistir” aos capitais externos ao município. No final da década de 1990, a CTMR foi desativada como empresa independente.

Na história

A primeira notícia referente à instalação de serviço telefônico em Pelotas data de 1882, quando o decreto 8.457 concedeu à Companhia Telefônica do Brasil, com sede na cidade do Rio de Janeiro, permissão para prestar serviços nas cidades de Salvador, Maceió, Porto Alegre, Rio Grande, Pelotas e Petrópolis. Porém, a primeira linha instalada que se tem notícia é de 14 de abril de 1883, adquirida pela Narciso José Ferreira & Cia., ligando a casa de Ferreira, na Marechal Floriano, até sua empresa no Porto.

Fonte: Dicionário de História de Pelotas, Beatriz Ana Loner, Lorena Almeida Gill, Mario Osorio Magalhães, [organizadores]. 3ª edição, Pelotas: Editora da UFPel.

Há 15 anos

Curta-metragem Marcovaldo foi selecionado para festival na França

O curta-metragem Marcovaldo, realizado pela Moviola Filmes com o apoio da Universidade Federal de Pelotas, foi selecionado para festival na França. O filme participou da 13ª edição dos Rencontres du Cinéma Sud-Américain de Marseille et Region, evento organizado pela associação Solidarité Provence Amérique du Sud (Aspas).

O festival ocorreu entre os dias 25 de março a 3 de abril de 2011, em Marseille. O curta pelotense, estrelado por Alexandre Meirelles e Renata Pinhati, integrou a programação oficial do ano do México na França. Além deste, Marcovaldo participou de festivais no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Minas Gerais, no Pará, em Pernambuco, em Punta del Este e em Montevidéu.

Um dia

Com direção de Cíntia Langie e Rafael Andreazza, o filme retrata 24 horas na vida de um trabalhador comum. A obra também foi escolhida como melhor curta-metragem pelo Júri Popular no II Curta Carajás – Festival de Cinema de Parauapebas-Pará e ganhou o prêmio de Melhor Fotografia no I Festival Nacional de Cinema de Petrópolis (RJ). Também foi contemplado com Menção Honrosa no II Festival Internacional de Fernando de Noronha.

Fonte: CCS UFPel

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