Foi confirmado nesta semana o investimento de R$ 37 milhões por parte da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido) da ONU, para a construção da Usina de Biochar em São Lourenço do Sul. A fábrica será a primeira no Rio Grande do Sul a utilizar resíduos da casca do arroz para a produção do biochar, que é um condicionador de solo e atua na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.
De acordo com a projeção do prefeito Zelmute Marten (PT), as obras para a construção da usina devem ter início entre o final do primeiro semestre deste ano e o início do segundo. A assinatura do contrato com a Unido será assinado no próximo dia 26 de fevereiro durante a abertura da Colheita do Arroz 2026.
A unidade industrial de produção de biochar em São Lourenço do Sul irá retirar do meio ambiente cerca de 30 mil toneladas de casca de arroz, gerando 8 mil toneladas do bio insumo e, consequentemente, oito mil toneladas de créditos de carbono.
As lideranças de São Lourenço do Sul e integrantes do setor do arroz estudam a possibilidade de ampliação da rede de cooperação pela região Sul, Campanha e Centro-Sul.
Parceria com a NetZero
As movimentações para o pioneirismo na construção da primeira usina a utilizar a casca de arroz como matéria-prima iniciaram ainda durante a COP-30, em novembro do ano passado. Nela, o prefeito de São Lourenço do Sul assinou um protocolo de intenções com a NetZero, uma empresa francesa com filial no Brasil, que tem uma tecnologia certificada internacionalmente de fabricação do biochar. O acordo envolve a empresa e a ICLEI, que é a Rede Mundial de Cidades pelo Desenvolvimento Sustentável.
A intenção previa que, a partir de um estudo de viabilidade e a pactuação de um parceiro da iniciativa privada da região Sul, fosse instalada a usina, o que está próximo de acontecer.
O biochar pode ser utilizado na recuperação de solos degradados e também na ampliação da capacidade de produção da agricultura familiar e do agronegócio em até 40%, sem o uso de fertilizantes.
A partir da casca de arroz, o biochar funciona por um processo chamado pirólise, que o transforma em um material rico em carbono com uma estrutura porosa benéfica para o solo e o meio ambiente. Quando aplicado ao solo, o biochar de casca de arroz atua principalmente como um condicionador daquela produção, reduzindo a necessidade de utilização de fertilizantes químicos.
Como uma forma de carbono altamente estável e resistente à decomposição, sua adição ao solo é uma estratégia eficaz para armazenar carbono a longo prazo, mitigando as mudanças climáticas.
Créditos de carbono
São certificados que representam a remoção ou não emissão de uma tonelada métrica de dióxido de carbono ou equivalente da atmosfera. Projetos sustentáveis geram esses créditos, que podem ser vendidos no mercado para empresas ou governos compensarem suas emissões e atingirem metas climáticas.
Os créditos são uma forma de colocar um preço nas emissões e transferir o custo social da poluição para quem a produz, incentivando a transição para uma economia de baixo carbono.
Entre as medidas já tomadas por São Lourenço do Sul, visando a descarbonização, está a parceria também estabelecida na COP30 com a Horeg Energy, da Finlândia. A empresa é responsável pela produção do Energy Plus, um aditivo ao combustível, que permite uma diminuição de custos de diesel e de gasolina em até 7% e também colabora com a descarbonização da economia global.
