Carnamatu leva música e memória afetiva aos residentes do Asilo de Mendigos

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Carnamatu leva música e memória afetiva aos residentes do Asilo de Mendigos

Baile carnavalesco na tarde desta quarta-feira, teve a animação dos participantes do Orquestrando Sonhos Maturidade

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Carnamatu leva música e memória afetiva aos residentes do Asilo de Mendigos
(Foto: Ana Cláudia Dias)

O Asilo de Mendigos de Pelotas foi palco, na tarde desta quarta-feira (11), de um animado baile de Carnaval, o Carnamatu, promovido em parceria com o projeto social Orquestrando Sonhos. A iniciativa levou música, dança e memória afetiva aos cerca de 90 idosos que residem na instituição. A ação integra as iniciativas de democratização cultural do Orquestrando Sonhos, que busca levar arte a espaços onde elas nem sempre chega.

A festa foi conduzida pelo Orquestrando Sonhos Maturidade, formado por participantes da terceira idade, carinhosamente chamados de “jovens há mais tempo”. Sob a regência do músico, professor e maestro João Marcos Negrinho Martins, também idealizador do projeto, o grupo contou com participação do professor e percussionista Marcelo Valente.

Ao som de marchinhas e sambas, aproximadamente 40 integrantes se apresentaram aos residentes do Asilo. As máscaras, a decoração e até os chocalhos de garrafinhas pet foram confeccionadas pelos participantes do Orquestrando, com o apoio das funcionárias do Asilo. Além desses adereços que ajudaram a dar o clima de Carnaval, os instrumentos de percussão e as vozes garantiram o ritmo da celebração, preparada ao longo do último mês.

Além do entretenimento

A produtora cultural do projeto, Adriana Noronha, explica que a ideia surgiu após uma apresentação realizada no local no fim do ano passado, a convite do Conselho Municipal do Idoso. “Conversamos com a gerente e pensamos em fazer um baile de Carnaval”, relata.

Segundo Adriana, a proposta vai além do entretenimento. “Para eles (do Orquestrando Sonhos Maturidade) é um propósito, eles entendem que ainda tem um propósito nessa vida. Muitos que chegam no grupo acham que já é o finalzinho da vida e eles entendem que podem ajudar, inclusive os nossos idosos daqui do Asilo. Eu acho que um alimenta o outro. A maturidade chega, a gente muda, mas a vida não para,a nossa função é não deixar eles parados”, diz.

Novos tempos

Para os residentes, a tarde foi marcada por emoção e lembranças. Célia de Moura Bichet, 80, moradora da instituição há um ano e cinco meses, relembrou os tempos de juventude em salões de baile de Canguçu. “Eu me criei dançando. Meu avô tinha salão de baile, na Chácara dos Moreira. Meu pai era o mestre de sala. Naquele tempo quando parava a música as moças iam para um lado e os moços para outro”, relembra.

Sobre a festa de Carnaval, Célia diz que fica muito feliz quando acontecem eventos como esse. Darli Ferraz da Rosa, 79, ex-instrumentadora cirúrgica com 57 anos de atuação na área da saúde, vive no asilo há pouco mais de um ano. Também natural de Canguçu, afirma estar satisfeita com o acolhimento. “Não estou sozinha. Aqui somos bem cuidados. E esses eventos trazem alegria”, relatou.

A residente lembra dos bailes de Carnaval que ia ainda na adolescência, mas depois, acabou deixando as danças de lado. “Eu gostava lá pelos meus 15, 16 anos, hoje estou matando a saudade”, fala.

Doações

A gerente da instituição, Patrícia Frank, reforça a importância de ações culturais no cotidiano da casa. “A maioria dos nossos idosos é cadeirante ou tem mobilidade reduzida. Precisamos promover momentos de alegria para tirá-los do marasmo”, afirma.

O asilo é uma instituição privada sem fins lucrativos e não recebe verbas públicas, mantendo-se por meio de doações. “Toda ajuda é bem-vinda”, destacou Patrícia.

Por este motivo, o evento de ontem também foi antecedido por uma campanha de doação de alimentos (leite, farinha, sal, biscoitos, óleo e açúcar). De acordo com Patrícia, cada residente realiza seis refeições diárias e muitos utilizam, em média, dez fraldas geriátricas por dia, outro item que sempre é muito bem-vindo.  “O nosso asilo é uma casa que vive de caridade e a principal caridade é a social, por isso esse tipo de evento ajuda muito a alegrar o coração deles”, fala a gerente.

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