Uma plataforma criada por integrantes do Conselho Deliberativo (CD) do Brasil integra dados detalhados dos 141 clubes do país que viraram Sociedade Anônima do Futebol (SAF) ou que planejam adotar esse formato de gestão. Lançado no meio do ano passado, o site virousaf.com.br foi fruto do processo de aprofundamento no assunto pelo qual passaram os membros do grupo de trabalho relacionado ao tema.
O sistema do portal permite uma filtragem por SAF vendida, não vendida ou em estudo; por divisão nacional; por estado; ou por estar ou não em recuperação judicial (RJ). Conforme o levantamento, 20 dos 95 adversários do Xavante na Série D do Brasileirão da atual temporada são SAFs.
No Rio Grande do Sul, o Brasil foi o primeiro a se transformar em SAF. O Futebol com Vida, de Viamão, já nasceu como Sociedade Anônima do Futebol.
Compreensão das particularidades
Segundo o conselheiro Juliano Freitas, um dos componentes do grupo de trabalho de estudo da SAF, cujas atividades começaram em 2021, a ideia da criação da plataforma foi uma consequência da necessidade de explicar aos demais integrantes do CD – e aos torcedores do clube – o funcionamento de uma SAF e os detalhes da lei que versa sobre a pauta.
“Cada caso é um caso. Cada clube tem uma particularidade de como tratar seu problema estrutural, seja de dívida ou de patrimônio do futebol. Entender isso facilitou para que a gente entendesse o nosso caso”, explica Juliano.

Com 33, São Paulo é o estado com mais SAFs (Foto: Reprodução – virousaf.com.br)
Primeiros cases
Como a chamada Lei da SAF foi promulgada em 2021, ano do início dos estudos dentro do Conselho do Brasil, os primeiros clubes que apostaram na mudança da gestão serviram como cases para o Rubro-Negro.
“Houve um primeiro trabalho de entendimento da lei e aí os primeiros clubes começaram a aderir – Cruzeiro, Botafogo, times das séries A e B do Brasileiro”, contextualiza o conselheiro.
Com as movimentações iniciais do mercado das SAFs, o grupo de trabalho passou a observar as figuras envolvidas – investidores e empresas de consultoria, por exemplo. Assim, também se tornou mais fácil estimar o valor que uma SAF do Brasil teria com base em parâmetros como cidade e estrutura do clube, entre outros fatores.
Uso de IA
Para transmitir as informações sobre a SAF ao Conselho Deliberativo, o grupo se valeu de ferramentas de inteligência artificial (IA). Foi gerado um áudio, via IA, com o objetivo de facilitar a compreensão da lei.
O próprio site também teve a publicação vinculada à IA, com posteriores atualizações feitas manualmente.
Meta alcançada
Para Juliano, o principal intuito do grupo de trabalho da SAF já foi atingido com a recente constituição do CNPJ da empresa Grêmio Esportivo Brasil Sociedade Anônima do Futebol. Restam formalidades como a assinatura de contratos e a transferência de ativos de 90% das ações ao Consórcio Xavante.
“Agora, se tudo correr como esperado, a gente tem é que fazer um churrasco para comemorar. Foram alguns anos nos reunindo com possíveis investidores, reunindo para discutir assuntos. Um processo longo, mas a partir de 2026 a gente vai começar a colher os frutos de uma virada administrativa e de patamar do nosso Xavante”, celebra.
Formaram o grupo de trabalho da SAF, além de Juliano Freitas, os conselheiros Pablo Chagas (ex-presidente do CD), Leandro Sinott, Sergio Andrea, Gerson Farias, André Matos e Vinícius Colvara. O presidente do clube, Vilmar Xavier, e a presidente do CD, Laura Quevedo, também cumpriram uma série de tarefas determinantes ao longo do processo, que está em fase final.
SAFs na Série D 2026
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