Bloco da Batu celebra as crençcas Tupi-Guarani e Iorubá neste Carnaval

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Bloco da Batu celebra as crençcas Tupi-Guarani e Iorubá neste Carnaval

Desfile da entidade, originada no projeto BatuCantada, ocorrerá no domingo, no Quadrado

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Atualizado terça-feira,
10 de Fevereiro de 2026 às 11:15

Bloco da Batu celebra as crençcas Tupi-Guarani e Iorubá neste Carnaval
(Foto: Camarim Fotográfico)

O Bloco da Batu realiza neste domingo (15), a partir das 15h, mais um desfile de Carnaval no Instituto Hélio D’Angola, no Quadrado, junto à comunidade das Doquinhas, no bairro Porto. Em sua quarta edição consecutiva no local, o bloco celebra as cosmologias Tupi-Guarani e Iorubá, matrizes fundamentais da cultura brasileira, unindo música, corpo e espiritualidade em uma festa marcada pelo pertencimento comunitário e pelo protagonismo feminino. O evento é aberto ao público.

Originado a partir do projeto BatuCantada: Mulheres na Percussão e Carnaval, o Bloco da Batu é formado exclusivamente por mulheres e tem regência da mestra Vanessinha. Nesta edição, a bateria e a harmonia prometem, mais uma vez, fazer o público vibrar com a energia construída ao longo dos últimos quatro anos de um trabalho coletivo, que mistura formação musical para elas e fortalecimento de redes culturais no território.

A batucantante e produtora cultural do grupo, Roberta Selva, conta que o Instituto Hélio D’Angola, considerado um espaço de memória, cultura e resistência negra e popular, é considerado a “primeira casa” do BatuCantada. Desde 2022, o Instituto acolhe ensaios, encontros e celebrações do grupo, consolidando uma relação de troca com a comunidade das Doquinhas, que participa ativamente das atividades. “A gente logo compartilhou o desejo de realizar nossos encontros lá, imediatamente fomos abraçados pelas pessoas que dão continuidade ao legado de Hélio D’Angola. Nós compreendemos que a cada atividade que a gente realiza naquele espaço, estamos realizando essas ações culturais com a comunidade das Doquinhas. Para nós é muito importante realizar o nosso Carnaval ali naquele espaço”, fala Roberta.

Ações ao longo do ano

Contemplado com recursos do Programa Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio da Secretaria da Cultura do Rio Grande do Sul e do Ministério da Cultura, o projeto Mulheres na Percussão e Carnaval desenvolve ações ao longo de todo o ano. Além do desfile carnavalesco, a iniciativa promove um arraial, durante os festejos juninos, encontros com outros blocos e coletivos femininos, oficinas de instrumentos e a concessão de bolsas para mulheres negras, indígenas, trans e pessoas com deficiência, ampliando o acesso e a diversidade na cena cultural.

Em março o grupo ainda vai realizar uma última atividade com o financiamento da PNAB, que são oficinas de instrumentos musicais com três artistas de Porto Alegre. São elas: Daniela Amaro, com cavaquinho; Carine Brasil, uma das regentes do bloco Não Mexe Comigo, com percussão, e Lívia Fontoura, com o sopro. “E ainda vamos nos encontrar, nesse mesmo mês de março, talvez nesse mesmo final de semana, com a Batucada Empoderada, que são meninas aqui de Pelotas que formaram um grupo de samba e pagode 100% feminino”, antecipa Roberta.

Formação de lideranças

Ao longo de sua trajetória, o BatuCantada também vem se destacando pela formação de novas lideranças. Ritmistas que ingressaram no grupo passaram a se especializar em instrumentos, assumir funções de direção de naipe e até regência, compartilhando o comando musical do desfile.

O crescimento da harmonia e do coro, com mais mulheres tocando e cantando, reflete um processo contínuo de aprendizado e autonomia artística. “Nós temos mulheres que começaram como ritmistas e que já estão regendo junto a mestre Vanessinha, que também deixa esse legado. Na harmonia, que nós tínhamos inicialmente uma ou duas que tocavam violão, temos agora mais outras mulheres que também estão também se especializando no instrumento. E inúmeras batucantantes que cantam”, comenta a produtora cultural.

Neste Carnaval, a escolha de celebrar as cosmologias Tupi-Guarani e Iorubá reforça o caráter educativo e político do bloco. “Esse foi um trabalho da designer Maria Mariana, que é uma batucantante, ritmista também, diretora de naipe. Ela trouxe para o Carnaval de 2026 essa celebração das cosmologias que fundam a cultura brasileira. Ela foi buscar essas referências e encontrou também na obra do Abdias do Nascimento, a Okê Arô, que é aquela obra icônica das artes visuais brasileiras, que é aquela imagem da flecha vermelha, então trazendo tudo isso que nos funda, enquanto nação, povo e cultura. A ideia foi justamente celebrar na arte do abadá essas culturas e os elementos dessas culturas que estão presentes na arte e no designer, na ilustração criada para o nosso abadá”, explica Roberta.

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