O sol forte do verão costuma deixar a pele marcada por queimaduras, muitas vezes tratadas apenas como um incômodo temporário. O problema é que esses episódios, especialmente quando frequentes ou ocorridos na infância, elevam significativamente o risco de câncer de pele, um dos tipos de câncer mais frequentes no Brasil. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o número de diagnósticos no país saltou de 4.237, em 2014, para 72.728, em 2024, o que corresponde a uma elevação de 1.616%.
Para a SBD, os índices refletem uma combinação de fatores, incluindo a predominância de pessoas de pele clara e o envelhecimento populacional. Estados das regiões Sul e Sudeste concentram as taxas mais elevadas. Segundo a dermatologista Isabelle Guarenti, esse cenário também está relacionado à melhora no diagnóstico da doença. “Há maior acesso aos serviços de saúde e maior procura da população, impulsionada por campanhas e pelos meios de informação”, explica.
Além das características físicas e do histórico familiar, as queimaduras solares também aumentam o risco para a doença, principalmente quando ocorrem na infância. Entre os sinais de alerta para um possível câncer de pele estão feridas que não cicatrizam e lesões com bordas irregulares, múltiplas cores, crescimento rápido, mudança de cor, sangramento ou coceira.
Previna-se
O principal ponto para evitar problemas na pele e, especialmente, queimaduras, é o uso do protetor solar. Apesar de ser muito utilizado na praia ou em atividades ao ar livre, a especialista ressalta que o uso do produto deve ser diário – mesmo na cidade, no inverno ou em dias nublados. O fator de proteção solar (FPS) mínimo recomendado é 30, mas pessoas com pele mais clara ou com manchas devem optar por fatores mais altos, a partir de FPS 50.
Isabelle lembra que a reaplicação deve ser feita a cada duas horas, principalmente na praia, após entrar na água ou em casos de suor excessivo. Também é preciso se atentar aos horários de maior risco, entre 10h e 15h, quando o índice de radiação ultravioleta é mais elevado.
Os bronzeadores não são indicados devido ao FPS muito baixo. Segundo a especialista, o “bronzeado saudável” só poderia ocorrer com exposição solar nos horários adequados, de forma gradual e com uso de protetor solar. No entanto, ela ressalta que o bronzeamento é uma resposta de defesa do organismo, com o aumento da produção de melanina para proteger a pele. “O bronzeado, na prática, não é saudável”, afirma.
Me queimei, e agora?
A especialista enfatiza que o ideal é que a queimadura não aconteça. No entanto, caso já tenha ocorrido, há alguns cuidados que ajudam a aliviar os sintomas de ardor. É possível utilizar hidratantes, compressas de água gelada e, em alguns casos, medicamentos para auxiliar na recuperação – dependendo do grau da queimadura.
A queimadura de primeiro grau provoca vermelhidão após a exposição ao sol e, geralmente, melhora apenas com o uso de hidratantes. Já a queimadura de segundo grau inclui bolhas e demora mais para cicatrizar. “Nessas situações, costuma-se utilizar vaselina líquida, além de outros hidratantes. Em alguns casos, é necessária a avaliação médica para uso de remédios”, explica.
O tempo de recuperação da pele varia de acordo com a intensidade e a extensão da queimadura, podendo levar de cinco a sete dias – ou até cerca de 14 dias.
