Santuário da biodiversidade do Sul do Brasil. A Estação Ecológica (Esec) do Taim, em seus cerca de 34 mil hectares, abriga mais de 200 espécies de plantas e mais de 300 animais, compondo um ecossistema diverso, cheio de vida e encantador aos olhos dos que podem enxergar com atenção cada detalhe deste espaço único no mundo.
O Grupo A Hora teve a oportunidade de participar de um dos roteiros disponibilizados pela equipe, vinculada ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão que administra a estação. Quem acompanhou a reportagem foi William Silveira, formado na primeira turma de monitores da Esec.
São diversas rotas para conhecer as belezas naturais da Reserva Ecológica do Taim, com diferentes propostas e durações, que contemplam vários públicos e podem ser adaptadas às necessidades dos visitantes. Em todas elas, o monitor autorizado guia o trajeto e chama a atenção para os animais que podem ser observados.
Além de um passeio de imersão no que há de mais belo na natureza, as trilhas proporcionam o contato com a história da formação do nosso território, a partir das ocupações, e, principalmente, o conhecimento sobre as iniciativas que mantém o ecossistema conservado, apesar das milhares de tentativas de destruição de áreas verdes.
As trilhas guiadas na Estação Ecológica do Taim existem desde 2003 e contam com 10 monitores especializados. Os passeios iniciam na sede administrativa da estação, onde os participantes conhecem um pouco da história do local e recebem orientações de segurança.
Os caminhos a serem percorridos devem ser somente os indicados pelos monitores e acompanhados deles.
Em um horizonte de cenários incríveis, até onde o olhar alcança, a biodiversidade do Taim é o que mais salta aos olhos. É possível observar o descanso de aves que escolhem o espaço como local de passagem, capivaras – que são uma das espécies em maior número – e a tranquilidade de répteis na beira das lagoas e arroios.
O Taim é considerado uma das zonas mais ricas em aves aquáticas da América do Sul. Ele tem grande valor como patrimônio genético e paisagístico, devido à sua grande diversidade biológica. Serve de abrigo, alimentação e reprodução para muitas espécies, sendo um dos criadouros de maior significado ecológico do Sul do Brasil.
Taim
A origem do nome é permeada por muitas lendas e reflete o contato do ambiente com diversas populações ao longo dos anos. Os nativos indígenas, que foram os primeiros habitantes das proximidades, seriam os responsáveis pela denominação, como uma homenagem à deusa Itaí, ou a um arroio de águas verdes que deságua na Lagoa Mirim.
Além disso, há a história de que o nome deriva do grito da tachã, uma ave nativa, que emite um som semelhante a “tahim” pelo banhado.
O nome Taim se popularizou e passou a significar toda a extensão de planícies e o abrigo das diversas espécies que constroem a paisagem.
Megafauna
A fauna que habitava o Taim até 10 mil anos atrás era constituída por animais de proporções gigantes, que integram o que é hoje conhecido como megafauna. No museu da Estação Ecológica estão réplicas em menor escala e fósseis de preguiças gigantes, mastodontes, gliptodontes – uma espécie de tatu que era do tamanho de um fusca, toxodontes e tigres-dente-de-sabre.
Todos os animais foram extintos, mas seus vestígios podem ser conferidos durante a visita em forma de fósseis.
Campos Neutrais
Cerca de 70% do território do Taim está situado no município de Santa Vitória do Palmar e 30% em Rio Grande. Há cerca de 2,5 mil anos passaram pelo local índios de várias tribos – charruas, minuanos e guaranis.
Na época do Império, a região do Taim, chamada à época de “Campos Neutrais”, foi local de disputas territoriais entre Portugal e Espanha. O Tratado de Santo Idelfonso (1777) a declarou como terra de ninguém, sendo um território proibido para a criação de povoados e o estabelecimento de tropas ou acampamentos. Em 1821, foi anexada ao Brasil e ocupada por populações de várias origens, com forte influência de espanhóis, portugueses e de imigrantes italianos.
Trilha da Figueira
O caminho percorrido pela equipe do A Hora do Sul compreende um trajeto de 10 quilômetros entre ida e volta da Esec. Conhecida como Trilha da Figueira, a visitação proporciona o contato com árvores centenárias, bromélias e orquídeas, tendo o canto de pássaros nativos como trilha sonora. Essa trilha oferece trajetos curtos para quem busca paz, e longos para os mais aventureiros.
O percurso ocorre dentro da mata nativa, vegetação diversa com corticeiras, aroeiras, palmeiras e a exuberante figueira de cerca de 700 anos. Ela é descrita por William como “uma senhora que recebe todos de braços abertos, adora receber visitas, mas gosta de silêncio”.
Como fazer a trilha
Os interessados em participar podem marcar as visitas diretamente com a equipe responsável pelo WhatsApp (53) 9928-4609, pelas páginas no instagram @caminhandopelotaim e @figueirao1985, ou diretamente na unidade do ICMBio às margens da BR-471.
Mais informações podem ser consultadas pelo site e pelo instagram @costadocegaucha.
