Suspense na Primeira Capital Farroupilha

Opinião

Helena Tomaschewski

Helena Tomaschewski

Estudante de Direito

Suspense na Primeira Capital Farroupilha

Por

A família da minha mãe é de Piratini. A Primeira Capital Farroupilha abriga os meus avós no seu pampa. É uma casa antiga, que pertencia aos meus bisavós, e sofreu mínimas alterações. A vista da casa durante o pôr do sol é linda; o problema é quando a noite desce.

Quando eu era criança, dormíamos no mesmo quarto: eu, meus pais e meu irmão. Eu tinha medo de dormir sozinha. As persianas das janelas são de madeira, então não se enxerga a um palmo do rosto. Não tem como saber se já amanheceu. As paredes tinham quadros de pessoas com uma expressão séria, que a vó sempre falou que eram familiares muito queridos, mas, para mim, eram apenas estranhos que me encaravam com um olhar sinistro. Ainda se tinha uma comunidade de morcegos morando no telhado da casa, responsáveis por produzir o único som que ouvíamos durante a noite.

E, para dar o último toque de filme de terror de terceira categoria, não se tinha sinal de celular, caso acontecesse um massacre ou algo sobrenatural — eram esses os meus pensamentos antes de cair no sono.

Recentemente, as coisas foram melhorando. Temos sinal e até Wi-Fi. Os morcegos migraram para assustar outras pessoas. Apenas o breu se mantém. Finalmente comecei a dormir sozinha — meu irmão de dezoito anos ainda dorme com meus pais.

Porém, recentemente, aconteceu algo que conseguiu assustar até meus avós, acostumados com sua casa.

A porteira amanhecia aberta. Já com uma certa idade, seus primeiros pensamentos foram de que meu avô havia esquecido de fechar. Mas foram verificar, e estava trancada. Noites se passaram, e a porteira permanecia aberta quando checavam pela manhã. Nenhum animal a menos. Apenas a porteira aberta.

Quem ou o quê poderia estar fazendo aquilo?

Depois de noites mal dormidas e medo de quem poderia estar cometendo aquele crime horrível e estranho, avisaram meu tio. Rapidamente, ele fez o óbvio: checou as câmeras de segurança.

Surpreendentemente, era um ser muito familiar para eles, alguém que nunca esperavam praticar aquele ato assustador: era uma vaca se coçando na porteira, que, depois de muito esforço, conseguia abri-la. Liberava todos os outros animais, e apenas ela e o cavalo não saíam.

Com o mistério resolvido, ficamos todos mais tranquilos com a solução, mas meu irmão ainda dorme com meus pais quando vai passar o fim de semana no interior de Piratini.

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