O judiciário vive crise de imagem?

Editorial

O judiciário vive crise de imagem?

O judiciário vive crise de imagem?
(Foto: Divulgação)

Nesta quinta-feira (04), a OAB do Rio Grande do Sul promoveu um ato público com temática afirmando que “O STF precisa mudar”. Entre os argumentos, está o reconhecimento do papel central do Supremo Tribunal Federal na manutenção da democracia e que “quando esse papel é exercido fora dos limites da lei, quem perde é a própria democracia e a confiança da sociedade no sistema de Justiça”. O discurso da instituição dá couro a algo que vem sendo repetido pela comunidade constantemente: o judiciário, como instituição, enfrenta resistência.

Uma pesquisa encomendada em outubro pelo A Hora do Sul indica equilíbrio na balança confiança (45,7%) versus desconfiança (44,3%) da população pelotense quanto a atuação da Justiça. E entre as razões para tal, há muitos pontos: o judiciário ativista, a morosidade, o “excesso de mídia”, as opiniões em público e a percepção de que o poder atua, mais do que para equilibrar o tripé com o Executivo e Judiciário, para proteger a si mesmo e as suas regalias.

O caso do Banco Master, por exemplo, é algo que faz saltar aos olhos toda essa desconfiança. A atuação do ministro Dias Toffoli tem gerado críticas amplas de todos os lados. A postura de Alexandre de Moraes também, já que sua esposa teve atuação. Fato é que hoje a população, em geral, já vê com reticências tudo o que permeia o judiciário e isso é terrível justamente para a própria democracia.

Desde a Lava-Jato, passando pelos embates com o governo Bolsonaro, durante a após a sua gestão, o Judiciário tem aparecido muito mais do que devia. São juízes, de todos os graus, dando entrevistas, aparecendo para falar de casos, emitindo opiniões políticas e até mirando na sequência uma aventura em carreiras partidárias. Tudo isso corrobora para que a população aos poucos perca a confiança. O ar de imparcialidade se perde quando se emite muita opinião fora das áreas técnicas e dos autos dos processos. Quando se aparece em eventos e encontros fora da agenda oficial. Por isso, uma mudança de postura, talvez norteada por um novo código de ética mais rígido, seja a saída para resolver isso.

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