Mostra reúne olhares poéticos sobre as paisagens da Zona Sul

Exposição

Mostra reúne olhares poéticos sobre as paisagens da Zona Sul

Estudantes da UFPel apresentam Aqui, no Sul, os azuis, roxos e cinzas na sala Leme do IFISP

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Atualizado quinta-feira,
05 de Fevereiro de 2026 às 11:16

Mostra reúne olhares poéticos sobre as paisagens da Zona Sul
Mariana Silveira (E) e Eduarda Franco expõem juntas pela primeira vez. (Foto: Amarilis Oliveira)

Começa nesta quinta-feira (5), às 17h, no Espaço Leme, a exposição Aqui, no Sul, os azuis, roxos e cinzas também, das artistas Eduarda Franco e Mariana Silveira, estudantes do curso de Bacharelado em Artes Visuais do Centro de Artes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). A mostra pode ser visitada até 12 deste mês, no prédio do Instituto de Filosofia, Sociologia e Política (Ifisp/UFPel), na rua Coronel Alberto Rosa, 154.

A exposição apresenta trabalhos em pintura, colagem e experimentações com fotografia, desenvolvidos a partir das pesquisas em poéticas visuais que integram os Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) das artistas, atualmente em fase final do bacharelado. A curadoria é assinada pela professora doutora Eduarda “Duda” Gonçalves, orientadora das estudantes, em parceria com o acadêmico João Sodré, bolsista de iniciação científica do CNPq/UFPel. As pesquisas são realizadas no âmbito do Grupo Deslocamentos, Observâncias e Cartografias Contemporâneas (Deslocc). A acadêmica do curso de Artes, Amarilis Oliveira, também auxiliou na montagem.

Aprimoramento no curso

Embora não seja formalmente uma exposição de formatura, a mostra marca um momento importante da trajetória acadêmica das artistas. “São basicamente os trabalhos que a gente vai usar no TCC, mas também tem obras desde o início do processo na faculdade, mostrando várias etapas da minha formação”, explica Eduarda Franco. Mariana Silveira complementa: “É uma continuidade do que a gente vem desenvolvendo e aprimorando ao longo do curso”.

As duas artistas partem de paisagens do extremo sul do Brasil, mas com abordagens singulares. Eduarda Franco investiga os céus de Arroio Grande, sua cidade natal, e de Pelotas, onde vive atualmente, utilizando pintura e fotografia. Em algumas obras, incorpora areia e terra às tintas, trazendo materialmente fragmentos do território para a tela. “Eu parto do céu das minhas cidades, muitas vezes a partir da fotografia, e depois levo isso para a pintura”, relata.

Mariana Silveira, por sua vez, trabalha com colagens e pinturas que evocam os relevos de Canguçu, sua terra de origem, e a paisagem plana da Colônia Z3, às margens da Lagoa dos Patos. Sua produção recente se dedica a recriar, por meio de sobreposições e transparências, a atmosfera de neblina vivenciada em deslocamentos pela Z3. “Busco evocar a memória daquele lugar, daquele dia específico”, conta a artista.

Consolidação com a prática

O título da exposição é inspirado em um verso do poema Campo, Chinês e Sonho, de Carlos Drummond de Andrade. Segundo a curadora Duda Gonçalves, a referência dialoga com o modo como as artistas revelam paisagens sensíveis e afetivas do Sul. “São temáticas semelhantes, mas os olhares e as técnicas são muito distintos. O trabalho artístico nasce para ser público, e essa exposição é fundamental para que elas vejam suas obras na rua, em diálogo com outros públicos”, destaca a professora. O título Aqui, no Sul, os azuis, roxos e cinzas também evoca a paleta de cores utilizadas pelas artistas.

Esta é a primeira exposição das duas artistas juntas. Ambas já participaram de coletivas e pretendem dar continuidade às pesquisas em nível de mestrado e doutorado. Para elas, a mostra representa um passo decisivo na consolidação de uma prática artística que ultrapassa o espaço da sala de aula e se projeta no cenário cultural da cidade.

Para Duda Gonçalves é muito importante que os alunos tenham essa prática de exposições, além de mostrarem suas obras, eles começam a entender como deve ser o trabalho com arte em uma cidade, como Pelotas, que não tem um mercado de arte. “Não temos galerias, por exemplo. O artista tem que ter autonomia, ele tem que encontrar o lugar para expor. Buscar formas de viabilizar e eles vendem também os trabalhos”, comenta a professora.

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