Zona Sul aposta na sustentabilidade como estratégia de desenvolvimento regional

Economia verde

Zona Sul aposta na sustentabilidade como estratégia de desenvolvimento regional

Câmara Técnica de Sustentabilidade reúne setor produtivo, pesquisa e poder público para impulsionar economia verde, transição energética e resiliência climática

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Zona Sul aposta na sustentabilidade como estratégia de desenvolvimento regional
(Foto: Julia Barcelos)

A Agência de Desenvolvimento da Zona Sul, em parceria com a Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul), instalou, nesta quarta-feira (4), em Pelotas, a Câmara Técnica de Sustentabilidade. A nova estrutura é voltada à discussão e proposição de soluções para o desenvolvimento regional, com foco na economia verde, na transição energética e na adaptação às mudanças climáticas.

Coordenada pelo professor Marcelo Dutra, a Câmara passa a integrar o conjunto de câmaras técnicas já em funcionamento na Agência, ao lado das áreas de Resiliência, Turismo e Inovação. A proposta é reunir empresas, instituições de pesquisa e representantes do setor produtivo para pensar alternativas de desenvolvimento para a Zona Sul. Ao todo, 22 empresas integram a estrutura, além de entidades como a Embrapa, o Irga e universidades.

Potenciais regionais

Para Dutra, a criação atende à necessidade de aproveitar os potenciais já existentes na região, especialmente nas áreas de logística, transição energética e produção sustentável. “A região está em um entroncamento logístico estratégico, com modais rodoviário, hidroviário, ferroviário e aéreo. Temos também um enorme potencial para energias renováveis, como a solar e a eólica, que deve se fortalecer ainda mais com as eólicas offshore”, destaca.

Entre os temas já em discussão estão a produção de combustíveis verdes e os impactos dessa transição sobre a cadeia produtiva regional. Dutra citou como exemplo a mudança de perfil da Refinaria Rio Grandense, que deve demandar novas formas de produção agrícola. “Isso envolve desde quem produz soja e canola até o arroz, que é o maior ativo da nossa região. Precisamos pensar em novas finalidades para essa cultura, como a produção de etanol combustível e outros bioprodutos possíveis a partir do arroz”, afirma.

Segundo o professor, as ações da Câmara devem impulsionar a chamada economia verde, que busca conciliar crescimento econômico, preservação ambiental e justiça social. “À medida que novos investimentos chegam e novas formas de fazer acontecem, surgem novas oportunidades de mercado. São empregos, investimentos e oportunidades que se abrem para a região”, explica.

Resiliência como estratégia de desenvolvimento

Para a presidente da Agência de Desenvolvimento da Zona Sul e secretária de Relações Institucionais do governo do Estado, Paula Mascarenhas, a sustentabilidade e a resiliência climática precisam ser encaradas como estratégias centrais de desenvolvimento econômico. “As mudanças climáticas têm impactos profundos na vida das pessoas, na organização da sociedade e no setor produtivo. Por isso, enfrentar esse cenário e conectar essa agenda ao desenvolvimento é fundamental”, ressalta.

Paula destacou que regiões mais preparadas para lidar com eventos climáticos extremos tendem a se tornar mais atrativas a investimentos. “A resiliência passa a ser um diferencial competitivo. As regiões que contam com estudos, equipes técnicas qualificadas e pesquisas em andamento estarão mais aptas a fortalecer os investimentos já existentes e a atrair novos empreendimentos”, afirma.

Nesse contexto, a presidente citou o Movimento Sul Resiliente, lançado a partir da Câmara Técnica de Resiliência da Agência, como uma estratégia para integrar os municípios da região em torno dessa visão. “O RS já avança nesse caminho por meio do Plano Rio Grande, que propõe não apenas reconstruir, mas reconstruir melhor. A Zona Sul quer ser a região mais resiliente do Estado e do país, e isso será um diferencial importante”, diz.

Paula também destacou o papel das universidades da região, como a UFPel e a Furg, no desenvolvimento de pesquisas de ponta em monitoramento, análise e previsão climática. “Temos aqui um capital científico muito relevante, que fortalece todas as câmaras técnicas. Essa integração entre conhecimento, setor produtivo e poder público é essencial para que o desenvolvimento regional aconteça”, conclui.

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