Salário mínimo e isenção do imposto de renda afetam o bolso no início do ano

Economia

Salário mínimo e isenção do imposto de renda afetam o bolso no início do ano

Alívio no bolso do trabalhador deve movimentar a economia ao longo do ano

Por

Salário mínimo e isenção do imposto de renda afetam o bolso no início do ano
Expectativa é que consumo seja stimulado com cenário de mais dinheiro circulando (Foto: Jô Folha)

O início de 2026 trouxe mudanças importantes para o bolso do trabalhador brasileiro. Passaram a valer a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês e o reajuste do salário mínimo para R$ 1.621.

Os efeitos das medidas começam a ser percebidos a partir de fevereiro e têm potencial de aquecer a economia ao longo do ano.

A principal mudança é a isenção total do IR para quem ganha até R$ 5 mil por mês, incluindo trabalhadores com carteira assinada, servidores públicos, aposentados e pensionistas do INSS ou de regimes próprios. Além disso, quem recebe entre R$ 5 mil e R$ 7.350 mensais passa a pagar menos imposto. Segundo o governo federal, cerca de 16 milhões de pessoas serão beneficiadas.

O reajuste de 6,7% no salário mínimo deve injetar mais de R$ 80 bilhões na economia ao longo do ano, de acordo com o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. Para ele, as duas mudanças somadas permitem projetar um ano positivo para o país. “A soma dos dois injetará no ano R$ 110 bilhões na economia brasileira”, afirmou em entrevista ao Canal Gov.

Para compensar a perda de arrecadação, a reforma criou o Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM), voltado a contribuintes de alta renda. A regra atinge quem recebe mais de R$ 600 mil por ano, com alíquota mínima progressiva de até 10%. A estimativa é de que cerca de 141 mil contribuintes sejam afetados.

Alívio imediato

A ampliação da faixa de isenção do IR funciona como um estímulo econômico de curto prazo, avalia o economista Gabrielito Menezes. “Estamos falando de trabalhadores e aposentados que têm alta propensão a consumir. O dinheiro que deixa de ir para o imposto acaba movimentando a economia”, explica.

A redução gradual do imposto também traz alívio ao orçamento da classe média. “O modelo evita o chamado ‘efeito degrau’, quando um pequeno aumento salarial gera uma grande perda líquida. Quem está mais perto dos R$ 5 mil sente mais o benefício”, afirma. Em alguns casos, a economia anual pode ultrapassar R$ 1,4 mil.

Do ponto de vista da desigualdade social, Menezes faz um alerta. “A isenção do Imposto de Renda, sozinha, não reduz a desigualdade. Pelo contrário, pode até ampliá-la”, diz. Segundo o especialista, quem ganha até R$ 5 mil já está entre as faixas mais altas da renda no país. “A redução da desigualdade só acontece quando o alívio na base vem acompanhado da tributação do topo”, ressalta.

A ampliação da isenção também representa perda de arrecadação, em um cenário de contas públicas pressionadas. “O desenho da reforma busca neutralizar esse impacto com a taxação das altas rendas. O risco surge se, no futuro, houver recuo nessa compensação”, avalia.

Consumo e mercado de trabalho

Em relação ao salário mínimo, Menezes destaca que o reajuste garante ganho real acima da inflação. “Esse aumento não apenas repõe a inflação, mas assegura um pequeno ganho real no poder de compra do trabalhador”, afirma. Ele lembra que a correção segue a política de valorização prevista em lei, que considera a inflação do período e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de anos anteriores.

Apesar do avanço, o economista pondera que o valor ainda está longe do ideal. “O salário mínimo cobre apenas cerca de 23% do valor necessário para sustentar uma família de quatro pessoas, segundo os cálculos do Dieese. Ou seja, há melhora, mas a distância ainda é enorme”, explica.

O impacto do reajuste tende a ser mais forte entre as famílias de baixa renda. Menezes lembra que cerca de 62 milhões de brasileiros têm rendimentos atrelados ao salário mínimo. “Esse dinheiro é gasto quase imediatamente. Vai direto para alimentação, contas básicas, comércio de bairro e serviços essenciais”, afirma.

Sobre o mercado de trabalho, o economista avalia que há riscos pontuais, mas controlados. “Existe uma pressão maior sobre pequenas empresas que empregam muitos trabalhadores no piso salarial, especialmente no comércio e nos serviços. Ainda assim, o aumento do consumo tende a compensar parte desse custo”, analisa. Segundo ele, evidências internacionais mostram que reajustes moderados do salário mínimo costumam ter impacto neutro ou até positivo sobre o emprego.

Acompanhe
nossas
redes sociais