O músico e compositor Nilton Medonha lançou o audiovisual da música Cristal, trabalho autoral que marca mais um capítulo de sua trajetória independente e aprofunda reflexões sobre o fazer artístico em cidades pequenas. O videoclipe está disponível no canal do artista no YouTube (@niltonmedonha) e foi realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).
Gravado integralmente no município de Cristal, cidade natal do artista, o audiovisual utiliza diferentes paisagens e espaços simbólicos como cenário, entre eles a Praça dos Pioneiros, a Pedreira, o Parque Bento Gonçalves da Silva, o Balneário de Cristal, além de ambientes internos, como o Alumiar Ateliê. A proposta é mesclar música, memória e identidade local, valorizando manifestações culturais e afetivas do território.
Longes dos grandes centros
A canção Cristal tem letra assinada por Paulo Rogério Medonha, irmão de Nilton. Escrita originalmente como poema em 1992, a obra ganhou música décadas depois, durante o período da pandemia, quando o artista passou a se dedicar de forma mais intensa à produção autoral. Musicalmente, a faixa se insere no punk rock, gênero que dialoga com a trajetória de Medonha, marcada pelo rock, blues e experimentações acústicas.
Segundo o músico, o clipe traduz visualmente a realidade de quem cria longe dos grandes centros urbanos. “A música fala sobre limites, falta de estrutura, sonhos, angústias e contradições de ser artista em uma cidade pequena, mas também sobre insistir e estar pronto quando as oportunidades chegam”, afirma. Para ele, transformar a música em imagem é um passo importante para ampliar a percepção do público sobre a obra e o artista.
Trajetória
Nilton Medonha iniciou sua trajetória musical em 1998, no Rio Grande do Sul, passando por bandas independentes de rock e punk, como a Calavera, nos anos 2000, antes de consolidar seu trabalho solo. A banda pelotense fazia música autoral, além dos covers, e ficou bem conhecida no Estado. “Chegamos a abrir três vezes para Tequila Baby, em shows que eles fizeram em Pelotas, Rio Grande e depois em Porto Alegre, no bar Opinião”, relembra o músico que era o guitarrista, arranjador e backing vocal da Calavera.
Com a Calavera, Medonha ficou uns cinco anos. Depois se decidiu pelo trabalho solo. “A gente rodou bastante. E foi mais para a região metropolitana e na região leste do Estado, fomos a bastante lugares. Como eu já estava com aquela vontade de desenvolver músicas autorais, quando chegou a pandemia, aí que eu comecei a desenvolver as músicas autorais minhas mesmo”, conta o músico.
De lá para cá o músico tem cerca de 20 composições próprias gravadas. Duas delas, Pel e Percepção também ganharam videoclipes, mas que ainda não foram lançados. A obra completa de Medonha pode ser encontrada no Spotify e outras plataformas de música.
Lançamento
O audiovisual de Cristal tem direção e roteiro de Lorenzo Lenz, fotografia de Luciano Barreto, operação de câmera e finalização de Gustavo Domingues Ramazzinni, direção de arte de Izzy Rodrigues e produção assinada pelo próprio Nilton Medonha. O artista também prevê o lançamento presencial do clipe em Canguçu, onde tem residência, no início de março, como parte da estratégia de divulgação do projeto.
A expectativa é que o público se conecte emocionalmente com a obra. “Espero que as pessoas levem para a própria realidade esse sentimento de busca por aceitação e respeito pelo que se constrói artisticamente”, completa o músico.
