O baixo preço da cebola na safra 2025/2026 levou a prefeitura de São José do Norte a decretar situação de emergência agrícola no município. Maior produtor de cebola do Rio Grande do Sul, São José do Norte tem mais de 1,5 mil famílias de agricultores afetadas pela crise. Os produtores temem dificuldades para manter os compromissos financeiros e a continuidade da atividade produtiva.
De acordo com o diretor do Escritório da Emater de São José do Norte, Pedro Farias, o decreto de situação de emergência é uma tentativa de auxiliar os agricultores familiares. Uma das tratativas envolve a possibilidade de quitação de dívidas. “Sabemos que é muito difícil, mas o decreto ao menos reforça a importância das prorrogações, quando não há a possibilidade de quitação”, afirma.
Além disso, Farias explica que o decreto engloba várias safras. Segundo ele, há um problema pontual de preço do produto nesta safra, agravado pela situação das temporadas anteriores, marcadas por dificuldades climáticas. “Isso tornou os produtores, em grande parte, descapitalizados. Agora, a crise no preço se soma às dificuldades anteriores, que já vêm de pelo menos três safras”, contextualiza.
Preço da cebola
No município, há 1.440 hectares destinados ao plantio de cebola. Neste ano, a safra foi considerada bastante positiva, alcançando cerca de 40 toneladas por hectare. A comercialização do produto está em andamento, com preços variando entre R$ 0,10 e R$ 0,60 por quilo. Enquanto isso, o custo por hectare gira em torno de R$ 38 mil.
“Observamos que, em muitos casos, a renda da atividade não cobre sequer metade dos custos de produção”, afirma Farias.
Conforme o diretor, a queda nos preços ocorreu em virtude do excesso de oferta do produto em todo o país. “A cebola de melhor qualidade está em torno de R$ 0,70 o quilo, mas, como há cebolas de calibres diferentes e com menor valorização no mercado, o preço médio recebido pelo produtor, muitas vezes, não chega a R$ 0,50 o quilo”, explica.
O especialista também aponta para o preço reduzido das cebolas grandes. “As preferenciais são as de 50 a 70 milímetros de diâmetro, o que traz um novo problema para os agricultores”, afirma. Os valores, de acordo com o tamanho, foram divulgados no Informativo Conjuntural da Emater:
- 15mm a 30mm: R$ 0,10
- 35mm a 50mm: R$ 0,40
- 70mm a 90mm: R$ 0,20
Prejuízos econômicos
Além dos impactos sobre os próprios produtores e a cadeia da cebolicultura, a crise também prejudica o município e a região como um todo. “Há uma diminuição muito significativa dos recursos movimentados na economia, o que gera problemas para diversos setores”, explica.
Quanto às orientações da Emater aos produtores locais, está a quitação de financiamentos sempre que possível e a evitação de juros por períodos muito prolongados. Isso pode evitar um agravamento ainda maior da situação financeira e da descapitalização das propriedades e dos agricultores familiares. Além disso, há o incentivo à diversificação de culturas.