Refinaria Riograndense projeta nova fase industrial e impulso no agronegócio no Sul do Estado

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Refinaria Riograndense projeta nova fase industrial e impulso no agronegócio no Sul do Estado

Projeto pioneiro de biorrefino transforma a tradicional industria de Rio Grande em polo de energia limpa

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Atualizado domingo,
01 de Fevereiro de 2026 às 17:09

Refinaria Riograndense projeta nova fase industrial e impulso no agronegócio no Sul do Estado
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A Refinaria Riograndense, localizada em Rio Grande, vive um dos momentos mais decisivos de seus quase 90 anos de história. Fundada em 1937, a unidade inicia neste ano uma virada estratégica que a reposiciona como referência mundial em biorrefino. O projeto terá impactos diretos sobre a economia regional e, especialmente, sobre o agronegócio da Zona Sul do Estado.

No dia 26 de janeiro, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) concedeu duas autorizações inéditas à refinaria: o processamento contínuo de matéria-prima 100% renovável e a comercialização do Bio-GL, equivalente renovável do gás liquefeito de petróleo (GLP), o tradicional gás de cozinha. A operação marca o início da primeira fase da conversão da refinaria para o biorrefino, com início ainda no primeiro trimestre deste ano.

Segundo o head de Biorefino da Refinaria Riograndense, Flávio Mingorance, o projeto transforma uma planta antes pouco competitiva no refino de petróleo em uma unidade de classe mundial, baseada em óleos vegetais e resíduos agroindustriais. “Deixamos de usar petróleo e passamos a processar cargas renováveis, como óleo de soja, canola, carinata e óleos residuais. Isso garante sustentabilidade econômica, ambiental e social no longo prazo”, afirma.

Matéria prima agrícola

A mudança vai além do setor energético. Ao demandar matérias-primas agrícolas, a biorrefinaria tende a ampliar e diversificar a produção rural, especialmente com culturas de inverno. Plantios de canola e carinata ganham protagonismo, abrindo novas oportunidades de renda para produtores e fortalecendo cadeias locais de beneficiamento, logística e serviços. Estimativas indicam que, além dos cerca de 1 bilhão de dólares em investimentos industriais, outros 1 a 1,5 bilhão de dólares podem ser movimentados no entorno da refinaria, sobretudo no agro.

O projeto é liderado por três grandes grupos (Petrobras, Ultra e Braskem) e prevê uma segunda fase ainda mais reforçada: a implantação de unidades para produção de Diesel Verde (HVO) e Combustível Sustentável de Aviação (SAF), com decisão final de investimento prevista para o primeiro semestre de 2026 e operação plena a partir de 2028.

Cerca de 5 mil empregos

Durante a fase de obras, devem ser gerados entre 4 mil e 5 mil empregos diretos. Na operação, a refinaria demandará novos perfis profissionais, estimulando a formação de mão de obra qualificada e a integração com universidades da região. “É uma indústria nova, pioneira no mundo, que vai desenvolver competências tanto no agro quanto na cadeia de biocombustíveis”, destaca Mingorance.

Com posição logística privilegiada, próxima ao porto e a importantes áreas produtoras do Brasil, Uruguai e Argentina, a Refinaria Riograndense se consolida como fundamental na transição energética e no desenvolvimento sustentável do agronegócio regional. Para o Rio Grande do Sul, o projeto representa não apenas inovação industrial, mas uma nova fronteira de crescimento econômico alicerçado na união do campo, indústria e energia renovável. “Acho que todo o povo do RS tem que ter orgulho desse projeto, que é muito interessante e pioneiro no Rio Grande do Sul e no Brasil”, fala Mingorance.

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