Há 74 anos
De área rural de difícil acesso a um dos mais simbólicos espaços de lazer de Pelotas, o Laranjal completa 74 anos como cenário de memórias, veraneios e transformações urbanas. Idealizada na segunda metade dos anos 1940 pelo advogado e professor Antônio Augusto de Assumpção Júnior, a antiga Estância do Laranjal deu lugar à Vila Residencial Balneária Santo Antônio, inaugurada em 31 de janeiro de 1952, marco que redefiniu a relação da cidade com a Lagoa dos Patos e consolidou os balneários Santo Antônio e Valverde como parte da identidade pelotense.
Originalmente, as margens da Lagoa dos Patos pertenciam a estâncias privadas da família Assumpção, onde os cidadãos só podiam acampar e veranear mediante autorização dos proprietários. Na década de 1940, Assumpção Júnior decidiu lotear parte de sua propriedade (Estância do Laranjal) para criar uma vila residencial, acreditando que o acesso a essa “obra-prima da natureza” deveria ser coletivo.
“Era uma empreitada audaciosa e de risco. Na época, sequer existia uma ponte sobre o Arroio Pelotas, e o acesso ao Laranjal era difícil. Ainda assim, Assumpção Júnior acreditava no potencial da região. Para isso, precisava de aliados”, registra o jornalista e pesquisador Antônio Augusto de Assumpção Mazzini, neto de Assumpção Júnior, em artigo sobre a criação do Laranjal.
Figuras essenciais
O loteamento contou com figuras essenciais: o engenheiro agrônomo Adolfo Bender, que trouxe expertise técnica, e o uruguaio Juan Carlos Di Lucca, que liderou a comercialização e publicidade inovadora dos terrenos a partir de 1950. A infraestrutura exigiu grandes esforços, como a drenagem de banhados e a abertura de vias, iniciando-se pela atual avenida José Maria da Fontoura em 1947.

Antônio Augusto de
Assumpção Júnior (Foto: Reprodução)
“O primeiro passo concreto foi a abertura da estrada que ligaria o corredor principal à praia que se deu em 1947. Essa via foi batizada de avenida José Maria da Fontoura, em homenagem ao tio-bisavô de Antônio Assumpção Júnior, antigo proprietário dessas terras, como forma de preservar a sua memória. A urbanização avançou com a abertura da avenida Beira-Mar, que terminava no cruzamento com a rua número 23, atual Porto Alegre, bem como da segunda Avenida, atual avenida Rio Grande do Sul, que terminava no cruzamento com a rua número 6, atual Santo Ângelo”, descreve Mazzini.
Sustentabilidade e paisagismo
Um ponto marcante na formação do bairro foi a preservação ambiental. Por determinação de Assumpção Júnior, o traçado das ruas foi desviado para poupar as figueiras nativas, e coqueiros-jerivás foram transplantados para ornamentar a orla, criando o charme tropical que define a paisagem até hoje.
A Vila Residencial Balneária Santo Antônio foi oficialmente inaugurada em 31 de janeiro, data marcada por uma procissão religiosa com a imagem do padroeiro e uma missa campal celebrada por Dom Antônio Zattera. Devido a problemas de saúde, o idealizador vendeu o empreendimento ainda em 1952 para Adolfo Fetter, cuja família deu continuidade ao projeto por meio da Sociedade Praia do Laranjal.
Legado e reconhecimento após a morte de Assumpção Júnior em 1954, a avenida Beira-Mar foi rebatizada com seu nome como homenagem ao seu espírito pioneiro. O impacto desse projeto foi tão profundo que, em 2021, a Câmara Municipal de Pelotas oficializou o dia 31 de janeiro como o aniversário do bairro do Laranjal. Atualmente, o Laranjal é descrito como um patrimônio afetivo e urbanístico consolidado, que integrou a natureza à modernidade da cidade de Pelotas.
Há 50 anos
Vereador denuncia descaso com a infraestrutura do Capão do Leão

Emancipação ocorreu
em 1982 (Foto: Reprodução)
“O 4º Distrito de Pelotas está abandonado, completamente, pela administração Municipal que até parece que esqueceu que existe o Capão do Leão, distante poucos quilômetros da sede do Município.” A declaração foi feita, em janeiro de 1976, pelo vereador Elberto Madruga, na época oposicionista, ao prefeito pelotense Ary Alcântara, filiado à Aliança Renovadora Nacional (Arena).
A crítica foi levada à imprensa, segundo Madruga, depois de ter visitado dezenas de moradores no 4.º Distrito, no início daquele ano. “As reclamações e queixas que ouvi, foram generalizadas”, falou. Porém, havia queixas repetidas sobre a falta de iluminação pública. “Reclamaram justamente. Afinal, recolhem a Taxa de Iluminação e, em troca, nada recebem”, observou o parlamentar.
Na época o Capão do Leão era o único distrito no qual havia cobrança do imposto predial, entretanto havia queixas de ruas sujas, resultado de um reduzido contingente de servidores públicos, responsáveis pela área de conservação, na subprefeitura. Também a ambulância que servia a localidade estava há quatro meses parada para conserto. “Até hoje não retornou ao 4.º Distrito, em prejuízo dos moradores”, reclamou o vereador, que prometeu fazer uma campanha, por meio de pronunciamentos na Câmara, em favor daquela comunidade.
Emancipado
O município de Capão do Leão foi emancipado de Pelotas em 3 de maio de 1982, através da Lei nº 7647. Antes de adotar a atual denominação, o antigo distrito também era conhecido como Serro, Santa Ana e Pavão, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Porém, segundo o historiador Joaquim Dias, a denominação de Capão do Leão já existia desde 1809, comprovado num documento requerido ao príncipe-regente português Dom João VI, solicitando a instalação de uma capela no “lugar denominado Capão do Leão da fazenda de Pelotas”, de acordo com a prefeitura do município.
Fontes: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense; Prefeitura do Capão do Leão