A saúde como um todo

corpo e mente

A saúde como um todo

Práticas integrativas ganham espaço e aliam-se à medicina tradicional no SUS

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A saúde como um todo
(Foto: Divulgação)

Procedimento complementar e alternativo, a terapia integrativa está cada vez mais presente na vida das pessoas, em consultórios e hospitais. O processo ajuda pacientes a partir de uma abordagem mais completa das enfermidades físicas e mentais.

A consultora e terapeuta integrativa Lú Albuquerque explica que o próprio nome diz: é uma terapia que procura a integração do paciente em uma visão completa levando em consideração corpo, mente e espírito.

A técnica deixou de ser vista como uma alternativa à medicina tradicional para assumir um papel de complemento no cuidado à saúde. “Hoje se entende que não se trata de substituir tratamentos médicos, mas de integrar saberes e técnicas que ajudam no equilíbrio do ser como um todo”, explica. A abordagem considera que o organismo humano não funciona de maneira fragmentada. “Não é o coração isolado, o pulmão ou o rim. É o ser integral. A terapia integrativa atua tanto no físico quanto no emocional, no mental e no energético”, afirma Lú.

Energia, emoção e saúde

De acordo com a terapeuta, pensamentos e emoções produzem energia, que influencia diretamente o bem-estar. “O pensamento cria energia, a emoção cria energia, isso vibra e interfere na nossa vida. Quando há desequilíbrio nesses campos, ele pode se manifestar no corpo físico”, explica. Essa compreensão não é nova.

Reiki também ganhou
espaço junto ao SUS (Foto: Divulgação)

Práticas milenares como a medicina tradicional chinesa, com mais de cinco mil anos, e a medicina ayurvédica, originária da Índia, já consideravam o ser humano de forma integral. Nessas abordagens, o foco não está apenas no órgão doente, mas nos fluxos de energia que percorrem o corpo, conhecidos como meridianos. “A acupuntura, por exemplo, trabalha canais de energia ligados aos órgãos, não o órgão em si. Quando se equilibra esse fluxo, o corpo responde”, detalha.

Técnicas utilizadas

A terapia integrativa reúne diferentes práticas, como acupuntura, auriculoterapia, reflexologia, ventosaterapia, moxabustão, reiki, florais, aromaterapia, fitoterapia e homeopatia. Cada técnica atua de maneira específica, mas com o mesmo objetivo: restaurar o equilíbrio do organismo. No Brasil, são reconhecidas no Brasil como Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) e reconhecidas pelo Ministério da Saúde, inclusive com disponibilidade no Sistema Único de Saúde (SUS).

Lú Albuquerque trabalha atualmente com mesas psiônicas, que utilizam radiestesia e radiônica para identificar desequilíbrios energéticos. “O pêndulo indica o que a pessoa precisa naquele momento. A partir disso, aplicamos as frequências necessárias, sem que a pessoa precise, necessariamente, ingerir substâncias”, explica. A terapeuta já utilizou o reiki e atualmente tem o tarot terapêutico e os óleos essenciais como técnica, que, segundo ela, apresentam respostas rápidas quando usados de forma adequada e orientada.

Prevenção

Um dos principais diferenciais da terapia integrativa é o foco na prevenção. Para Lú, a doença costuma ser o último estágio de um processo de desequilíbrio. “Antes de chegar ao físico, o problema já passou pelo emocional, pelo mental e pelo energético. Quando a pessoa busca a terapia de forma preventiva, muitas vezes evita que a doença se manifeste”, afirma.

Lú diz que prática alternativa deve ser integrada à tradicional (Foto: Jô Folha)

Entre os benefícios mais comuns estão o fortalecimento da imunidade, melhora do sono, controle do estresse, alívio de dores crônicas, auxílio no tratamento de doenças autoimunes e apoio à saúde emocional.

Óleos

A aromaterapia, por exemplo, pode ser utilizada de diferentes formas, aromática, tópica ou, em casos específicos, até por ingestão, sempre com acompanhamento profissional. “Não é porque é natural que não oferece riscos. Cada pessoa precisa de uma avaliação, assim como acontece na medicina convencional”, ressalta.

Integração com a medicina tradicional

A terapeuta reforça que a terapia integrativa não exclui tratamentos médicos. “É uma soma. A pessoa pode estar fazendo acompanhamento médico, uso de medicamentos e, ao mesmo tempo, cuidar da sua energia, das emoções e da mente”, destaca. O crescimento da busca por esse tipo de cuidado reflete uma mudança de mentalidade da população, que passa a compreender a saúde como resultado de equilíbrio e não apenas da ausência de doenças. “Quando a pessoa se mantém equilibrada, dificilmente a doença se instala. Esse é o maior objetivo da terapia integrativa”, conclui Lú Albuquerque.

Brasil, referência mundial

O Brasil é referência mundial na área de práticas integrativas e complementares na atenção básica. É uma modalidade que investe na prevenção e promoção à saúde com o objetivo de evitar que as pessoas fiquem doentes. Além disso, quando necessário, as PICS também podem ser usadas para aliviar sintomas e tratar pessoas que já estão com algum tipo de enfermidade.

As práticas foram institucionalizadas pela Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no Sistema Único de Saúde (PNPIC) e, atualmente, o SUS oferece, de forma integral e gratuita, 29 procedimentos de PICS à população.

Essas condutas terapêuticas desempenham um papel abrangente no SUS e podem ser incorporadas em todos os níveis da Rede de Atenção à Saúde, com foco especial na Atenção Primária, onde têm grande potencial de atuação.

Onde tem?

Existem, atualmente, 8.239 estabelecimentos de saúde na Atenção Primária ofertando atendimentos individuais e coletivos em Práticas Integrativas e Complementares nos municípios brasileiros. As PICS estão presentes em 54% dos municípios, distribuídos pelos 27 estados e Distrito Federal e todas as capitais brasileiras.

Distribuição dos serviços de PICS por nível de complexidade:

  • Atenção Básica 78%
  • Média 18%
  • Alta 4%
  • 2 milhões de atendimentos das PICs nas UBSs

A Política Estadual de PICS do Rio Grande do Sul foi aprovada em 2013 pela Comissão Intergestores Bipartite (Resolução Nº695/13). Em Pelotas, o decreto 6.915/2024 institui a inserção das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (Pics) SUS. Em Pelotas, 29 das 50 UBSs no município oferecem as PICs como abordagem, a partir da utilização de recursos terapêuticos baseados em conhecimentos tradicionais, voltados para prevenção de diversas doenças. O Hospital Escola da UFPel mantém as práticas com profissionais de Educação Física.

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