Aos 72 anos, Conceição Duarte continua aprendendo a dominar o novo meio de transporte. Há alguns dias, ela e o neto Lucas Duarte passaram a se aventurar com uma moto elétrica. Na manhã de quinta-feira (29), os dois circulavam pelo canteiro central da avenida Bento Gonçalves. Em meio a tentativas de equilíbrio, Conceição ainda passa pelo período de adaptação, mas não desistiu da ideia.
A decisão de comprar o veículo partiu da necessidade de mobilidade e da percepção de uso no dia a dia. “Eu precisava de alguma coisa que me desse liberdade para sair a hora que eu quisesse”, conta a aposentada. O plano é que, no futuro, Lucas utilize a moto elétrica para se deslocar com mais facilidade pela cidade.
Segundo a família, o veículo custou R$ 7,2 mil e tem velocidade máxima de 32 quilômetros por hora. “É mais barato que uma moto e não preciso de carteira”, diz Conceição, que não também não tem o hábito andar de bicicleta. Apesar disso, ela decidiu arriscar. “Eu achei que ia aprender rápido, mas ela arranca forte”, relata.
Aumento da procura
Esse caso ajuda a ilustrar um fenômeno cada vez mais comum. Segundo dados da OLX Autos, as vendas de motos elétricas cresceram 63% em 2025, impulsionadas pela busca por alternativas mais econômicas e práticas. Com preços inferiores aos de motocicletas tradicionais e menor custo de manutenção, esses veículos têm atraído públicos diversos.
Enquanto se popularizam, as motos e bicicletas elétricas também ampliam as dúvidas sobre o que é permitido no trânsito. Desde o início deste ano, passaram a valer de forma integral as regras da Resolução nº 996 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que atualiza a classificação e a regulamentação destes veículos.
A regulamentação do Contran define categorias distintas a partir de três critérios principais:
- Potência do motor
- Velocidade máxima
- Forma de acionamento (pedal assistido ou acelerador)
Veículos visualmente parecidos podem ter enquadramentos legais diferentes, o que muda as exigências para circulação.
Alerta no trânsito
A professora da UFPel e especialista em transportes terrestres, Raquel Holz, alerta que a popularização das bicicletas e motos elétricas traz alguns riscos à segurança viária, especialmente entre jovens e idosos sem experiência no trânsito. “Os principais riscos incluem a falta de uso de capacetes e equipamentos de proteção”. Ela também destaca a imprudência, como trafegar em alta velocidade, sem sinalização ou em contramão.
Segundo Raquel, o que mais preocupa hoje é a ausência de infraestrutura adequada. “Ciclovias incompletas ou ausentes forçam o usuário a utilizar calçadas e vias sem separação clara dos veículos”, afirma. Para ela, a solução passa pela expansão da infraestrutura cicloviária prioritária, aliada à educação no trânsito, sinalização e fiscalização municipal.
