O Pelotense é considerado o precursor da imprensa no município

Opinião

Ana Cláudia Dias

Ana Cláudia Dias

Coluna Memórias

O Pelotense é considerado o precursor da imprensa no município

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De acordo com o Dicionário de História de Pelotas a imprensa no município surgiu tardiamente, na metade do século 19. Foi em 1851, que Cândido Augusto de Melo fundou O Pelotense, sendo o primeiro periódico a levar à comunidade notícias locais.

Depois dele, surgiram outras iniciativas, de curta ou longa duração, diários, semanais, quinzenais ou até mensais, ao longo dos séculos 19 e 20. Na época era mais comum editores/redatores se dedicarem às artes tipográficas de forma permanente, o que estimulava a fundação de órgãos de imprensa, estimulados ainda pelas necessidades e interesses do momento.

No vocábulo Imprensa, do Dicionário de História de Pelotas, a pesquisadora e historiadora Beatriz Ana Loner, destaca os jornais relacionados aos setores de classe. “O primeiro periódico de defesa de interesses patronais foi o Sul do Brazil, que defendia os interesses do comércio e da indústria das charqueadas, em 1887 e 1888; foi, provavelmente, o primeiro jornal desse tipo no Estado. Os caixeiros lançaram o União Caixeiral (1896) e A Defesa (1904). Quanto aos industriários, foram lançados muitos jornais representativos de sindicatos e centrais ou correntes operárias desde o início”, registrou.

Periódico diários

Foi a partir de meados da década de 1860 que surgiu a imprensa diária na cidade de Pelotas, fundando-se alguns dos principais periódicos, como o Diário de Pelotas e o Jornal do Comércio, o que se consolidou nas décadas seguintes, com o Correio Mercantil, Onze de Junho, A Discussão, reconhecido por estar a serviço da causa abolicionista, O Rio-Grandense e A Pátria. Além destes, para o final do Império houve O País e O Comercial, ambos de curta duração. Com o surgimento da República, houve uma renovação quase total dos periódicos, com exceção do Correio Mercantil, surgindo o Diário Popular e A Opinião Pública, fundado por Teodósio de Menezes, representantes do republicanismo.

No livro Histórias e Tradições da Cidade de Pelotas, o historiador Mario Osorio Magalhães relembra ainda, O Brado do Sul, editado por Domingos José de Almeida, surgido logo após O Pelotense. O pesquisador ainda salienta a criação dos seguintes periódicos: “Jornal de Pelotas, do alemão Carlos von Koseritz; o Correio Mercantil, em que trabalhava e do qual foi diretor João Simões Lopes Neto; O Cabrion e A Ventarola, jornais humorísticos e ilustrados. Dentre as revistas, não se deve esquecer o Almanaque de Pelotas e a Ilustração Pelotense, esta dirigida por Coelho da Costa e onde se iniciaram os futuros escritores modernistas do Rio Grande do Sul”.

Ainda ficou na história da imprensa de Pelotas jornais fundados com nomes, no mínimo, peculiares, a exemplo de: Zé Povinho, Cavação, Pervígil, Invisível, Bilontra, Psiu, Férula, Micuim, Investigação, Amolador e Indiscreto, entre outros.

Fontes: Histórias e Tradições da Cidade de Pelotas, o historiador Mario Osorio Magalhães; Dicionário de História de Pelotas, organizadores Lorena Gill, Beatriz Ana Loner e Mario Osorio Magalhães

Há 50 anos

Formiga Cabeçuda estava pronta para o Carnaval de 76 em Pelotas

A irreverência dos blocos burlescos na folia pelotense (Foto: Reprodução)

Em seu segundo ano de existência, o bloco burlesco Formiga Cabeçuda, do bairro Areal, já despontava como uma das atrações do Carnaval de rua de Pelotas. A promessa para aquele ano era ambiciosa: três carros alegóricos e uma bateria com cerca de 60 integrantes, entre eles quatro músicos.

O fundador do bloco, o comerciante Ivo Vilanova, figura bastante conhecida no Areal, também desfilava com seu pistão de vara. Com bom humor, explicava o motivo: “assim economiza um pouco da verba”.

À imprensa local, o então relações-públicas do grupo, Vanjair Gonçalves, projetava um futuro ainda mais ousado. Caso tudo corresse bem, em 1977 a Formiga Cabeçuda seria transformada em bloco carnavalesco com o nome Cantão, passando a disputar espaço com agremiações já tradicionais, como Alegria e Samba e Manda Brasa. Para isso, os organizadores investiram em novos instrumentos, como caixa, tarol e surdo.

Sexto lugar

No primeiro ano de participação, a Formiga Cabeçuda conquistou o sexto lugar, resultado considerado positivo por seus fundadores. Para o Carnaval de 1976, o bloco foi um dos primeiros a iniciar os ensaios, realizados às segundas e sextas-feiras, sob a coordenação de Charuto, conhecido ensaiador que, anos antes, havia trabalhado com a Academia de Samba.

O principal rival daquele ano parecia ser uma nova entidade surgida na mesma região: as Dengosas do Pepino. Segundo Vanjair Gonçalves, o grupo rival contaria com muitos integrantes da Escola de Samba e Cultural Ramiro Barcelos, o que garantiria força à bateria. “Nós não temos esse reforço, mas garanto que não faremos mal”, assegurava, confiante. Naquele ano, o Carnaval ocorreu entre os dias 28 de fevereiro e 2 de março, da mesma forma que o calendário nacional.

Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense

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