A prefeitura de Pelotas avança no planejamento da reforma do Mercado Central, um dos principais cartões-postais da cidade. O projeto está em fase de finalização e conta com R$ 1,5 milhão garantidos no orçamento de 2026, com recursos próprios do município. A proposta prevê intervenções estruturais sem fechamento total do espaço, e a expectativa é que a licitação ocorra ainda no primeiro semestre, possibilitando o início das obras neste ano.
A gestão municipal trabalha nos projetos desde o ano passado, quando ainda não havia previsão orçamentária para a reforma. Além do valor já garantido, a prefeitura também prevê a captação de mais R$ 1 milhão, o que pode ampliar o alcance das intervenções.
No momento, estão sendo finalizados os projetos para abertura da licitação. “Estamos tomando decisões sobre quanto investir na fachada, na rede elétrica e na cobertura, porque são muitas dimensões e todas são importantes”, explica o secretário de Urbanismo, Otávio Peres. Antes da licitação, ainda está prevista uma nova reunião com os permissionários para discutir a composição final do projeto, seguida da preparação da documentação e análise da Procuradoria.
Prioridades da intervenção
Segundo o presidente da Associação dos Permissionários do Mercado Central, Guilherme Fiss, os principais problemas enfrentados hoje envolvem a infraestrutura da torre metálica, a rede elétrica e os banheiros. “Essa é uma luta que travamos há mais de seis anos”, relata. “Nós pedimos, pelo menos, a manutenção básica do prédio. A nossa maior preocupação é que o Mercado sofra uma nova interdição”, relata.
O secretário argumenta que as falhas atuais são reflexo de anos sem investimentos estruturais e defende intervenções mais profundas. “Não adianta realizar apenas manutenções superficiais. Em alguns pontos, é necessário um investimento mais substancial e estrutural”, destaca. Ele também afasta a possibilidade de fechamento total do Mercado, indicando que, se necessário, ocorrerão apenas interdições parciais.
Abrangência da reforma
Apesar do valor expressivo destinado à reforma, Peres ressalta que o recurso não será suficiente para uma restauração completa do espaço, já que somente o projeto integral da torre está orçado em R$ 1,5 milhão. “Dentro do pacote que estamos fechando, vamos priorizar os elementos mais emergenciais, como a segurança para acesso à torre, o para-raios e a situação elétrica do local”, explica.
Sendo assim, a reforma deve contemplar melhorias na rede elétrica, coberturas, sistema de drenagem, fachada, portas, banheiros, além de um projeto luminotécnico e, conforme a disponibilidade orçamentária, intervenções no mobiliário e nos pátios internos. A reforma dos banheiros deve ser uma das primeiras ações. Para isso, a Prefeitura aguarda a conclusão do banheiro da praça Coronel Pedro Osório, que servirão como alternativa durante a interdição temporária no Mercado.
Para Fiss, a reforma representa mais segurança e também a retomada do fluxo de visitantes. “É um dos lugares mais visitados de Pelotas e precisa dessa atenção”, afirma. A associação também reivindica a retomada das licitações das bancas, que não ocorrem há quatro anos, e a definição de um gestor específico para o Mercado.
O prédio foi construído em 1845 e passou por por uma série de intervenções. A última foi concluída em 2012.
