Ex-prefeitos se reúnem com Kassab e redesenham o PSD no Rio Grande do Sul

Opinião

Pedro Petrucci

Pedro Petrucci

Jornalista

Ex-prefeitos se reúnem com Kassab e redesenham o PSD no Rio Grande do Sul

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Atualizado quinta-feira,
29 de Janeiro de 2026 às 08:18

A visita do governador Eduardo Leite e da ex-prefeita Paula Mascarenhas ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, em São Paulo, marcou um movimento relevante de reorganização política com reflexos diretos no Rio Grande do Sul e, em especial, em Pelotas. Paula, que deixou recentemente o PSDB, confirmou que irá se filiar ao PSD nas próximas semanas. No mesmo movimento, ela também definiu seu próximo passo eleitoral: será candidata a deputada estadual em 2026. A apresentação formal de Paula a Kassab teve caráter político e estratégico, sinalizando a incorporação de um nome com capital eleitoral consolidado no Sul do Estado ao projeto nacional do partido.

O encontro também teve forte simbolismo para Eduardo Leite. Ex-prefeito de Pelotas e atual governador do Rio Grande do Sul, Leite é hoje um dos principais quadros nacionais do PSD e trabalha para ampliar sua projeção fora do Estado. No partido, seu nome é citado tanto como possível candidato ao Senado quanto como alternativa presidencial, dependendo do desenho eleitoral de 2026 e das alianças que vierem a ser construídas.

Ao reunir Leite e Paula, dois ex-prefeitos de Pelotas, Kassab reforça a estratégia do PSD de atrair lideranças com trajetória administrativa, capacidade de voto e inserção regional. Ratinho Jr, governador do Paraná, e Ronaldo Caiado, governador de Goiás, são outros nomes cotados pelo PSD.

A movimentação também sinaliza o esvaziamento gradual do PSDB no Estado, especialmente entre lideranças que tiveram protagonismo nos últimos anos, e o reposicionamento do PSD como um polo de atração para quadros de centro com perfil executivo. No caso de Paula Mascarenhas, atualmente secretária estadual de Relações Institucionais, a filiação ao PSD ocorre em um momento de reconstrução da carreira política, agora com foco no Legislativo estadual, amparada por um partido que busca ampliar sua bancada no Parlamento gaúcho.

Cronograma estimativo

Uma nota da ANTT para o Grupo A Hora tenta enquadrar uma expectativa que vinha circulando como se fosse data marcada: o cronograma divulgado pelo Ministério dos Transportes para a Rota Portuária Sul é estimativo e depende do rito completo, com participação social, análise técnica e envio ao Tribunal de Contas da União (TCU). Na prática, isso mostra que janeiro está terminando sem definição de data para as audiências públicas, que eram aguardadas pelos municípios desde dezembro. O ponto mais sensível é o encaixe dessas etapas com a virada operacional das rodovias. A partir de 3 de março de 2026, os trechos hoje administrados pela Ecovias Sul passam para a responsabilidade do DNIT.

A ANTT também tenta deixar claro o encadeamento: só depois de audiência, contribuições e consolidação técnica o projeto segue ao TCU, e somente após essa fase é possível avançar para edital e leilão. O cronograma divulgado pelo Ministério cita edital em maio de 2026 e leilão em agosto de 2026, mas esse desenho fica condicionado ao andamento das audiências e ao tempo de análise. No curto prazo, a transição para o DNIT tem como efeito prático para o usuário o fato da falta de suporte de guincho e ambulância, como na concessão, deslocando parte do acionamento para seguro, serviço particular e rede pública conforme o município.

Emergência feminina

O RS pode ter delegacias especializadas no atendimento à mulher funcionando 24 horas durante o Carnaval. A medida foi solicitada ao governo do Estado pela deputada estadual Laura Sito (PT), que também pediu o reconhecimento de situação de calamidade diante do aumento dos casos de feminicídio. Segundo a parlamentar, apenas nos primeiros 27 dias de 2026 foram registrados dez feminicídios no Estado. Dados citados no pedido indicam ainda que, para cada mulher assassinada, outras três sobreviveram a tentativas de feminicídio, o que amplia o alerta sobre a escalada da violência. No ofício encaminhado ao Executivo, Laura Sito argumenta que o período do Carnaval historicamente concentra maior incidência de violência de gênero, especialmente em contextos de consumo de álcool e grandes aglomerações. Por isso, defende a ampliação temporária dos plantões nas delegacias da mulher, além do reforço da rede de atendimento e da mobilização extraordinária de recursos. A deputada sustenta que o reconhecimento da calamidade permitiria maior agilidade administrativa, flexibilização de procedimentos e ampliação dos investimentos.

Discurso punido

O Ministério Público Federal obteve a condenação do deputado federal Bibo Nunes (PL) ao pagamento de R$100 mil por danos morais coletivos, em razão de declarações feitas em 2022 contra estudantes universitários do Rio Grande do Sul. A Justiça Federal entendeu que o parlamentar extrapolou a imunidade parlamentar ao proferir falas ofensivas e com conteúdo de incitação à violência, dirigidas a alunos de universidades federais, durante o período eleitoral. A decisão tem repercussão direta na UFPel, citada no contexto das manifestações estudantis alvo do discurso. O valor da indenização deverá ser destinado a um fundo ligado à educação pública Superior, reforçando o entendimento de que críticas políticas são legítimas, mas não autorizam ataques que atinjam coletividades e o direito à livre manifestação no ambiente universitário.

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