“Sempre fui apaixonada por bichinhos, desde pequenina”

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“Sempre fui apaixonada por bichinhos, desde pequenina”

Nathaniele Barther - Cuidadora de pets

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“Sempre fui apaixonada por bichinhos, desde pequenina”
(Foto: Reprodução)

Biotecnologista e estudante de Medicina Veterinária na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Nathanielle Barther, atua como cuidadora de pets em um modelo de hospedagem familiar. À frente do Oh My Dog Pet Hostel, ela aposta em poucas vagas, ambiente doméstico e vínculo próximo com os animais e seus tutores.

Tu sempre foi apaixonada por animais?
Sim, sempre. Desde pequenina eu amei bichinhos. Era aquele verdadeiro ‘vi na rua, quero levar pra casa’. No início até pensei em fazer Medicina Veterinária, mas achava que, por gostar demais de animais, eu não teria emocional para lidar com urgências. Acabei fazendo Biotecnologia, trabalhei bastante com pesquisa, mas depois entendi que a Veterinária era um caminho do qual eu não ia conseguir fugir. Hoje estou na graduação.

Como funciona, na prática, ser uma pet sitter (“babá de pet”)?
Existem vários tipos de hospedagem, mas posso falar do meu modelo. O Oh My Dog nasceu de uma motivação completamente pessoal. Eu tenho um cachorro, o Jake, que é muito fofo, mas não é receptivo a muitos animais. Ele não gosta daquela função de muitos cachorros brincando juntos, de superlotação. O Oh My Dog é uma hospedagem familiar, com poucas vagas, em um ambiente mais calmo. Os pets convivem comigo, com a minha mãe e com o meu pai. A ideia é mimetizar a rotina de casa: dormem na cama, fazem xixi na rua, ficam dentro de casa conosco. É realmente cuidar como se fosse nosso. A gente sempre pergunta sobre a rotina do pet para tentar reproduzir isso.

Quantos animais tu consegue receber ao mesmo tempo?
Depende. Se eu já conheço os pets, consigo adaptar três, no máximo quatro. Fugindo disso, não é a minha proposta. Existem hospedagens que recebem mais, mas no momento não é o que o Oh My Dog oferece. A ideia é qualidade e não quantidade.

Como funciona o apoio da tua família?
É fundamental. Quem quiser começar hoje em dia precisa de uma rede de apoio. Ninguém faz hospedagem sozinho. Tu precisa, em algum momento, sair, tomar um banho, ir ao mercado. Sempre tem que ter alguém cuidando dos pets. No meu caso, envolve minha mãe e meu pai, que são apaixonados pelos animais.

É mais responsabilidade cuidar do pet do outro?
Muitas vezes é até mais responsabilidade do que cuidar do teu. O teu tu já conhece, sabe como reage. O pet do outro pode te surpreender em um momento de descuido.

E o Jake, como lidou com essa convivência?
No início foi mais complicado. Alguns pets ele aceitava melhor, outros não. Ele chegou a fazer greve de fome, tipo ‘quem são esses intrusos na minha casa?’. Mas hoje ele está bem mais sociável, foi uma vitória para mim. Eu criei o hostel com uma proposta e o Jake acabou entrando junto e se adaptando. Hoje ele tem amiguinhos, convive bem, mesmo mantendo o espaço dele.

Tu percebeu um aumento na procura pelo serviço?
Muito. Principalmente neste último ano. Foi quando eu pensei: ‘meu Deus, a coisa está ficando grande’. Uma amiga minha comentou o quanto eu sou reconhecida nesse meio, e eu nem tinha noção disso. Para mim é algo tão de dentro de casa que às vezes a gente esquece da repercussão.

Tem alguma história que te marcou?
Tem o caso do Pandinha. A tutora disse que ficou 14 anos sem viajar porque não confiava em deixar com alguém. Depois que me encontrou, disse que agora não para mais em casa. Isso é muito especial.

Qual a importância da confiança nesse serviço?
É tudo. Se a pessoa não confia, ela não relaxa na viagem. Vai ficar pensando o tempo todo no pet. Quando tu encontra um lugar em que confia de verdade, não troca. Isso faz toda a diferença.

Tu cuida só de cachorros?
Gato eu não faço hospedagem. Eu faço pet sitter, indo até a casa da pessoa. Gato estranha muito o novo, pode gerar estresse e até problemas de saúde. Então eu respeito o espaço dele, faço a limpeza, alimento, e se ele quiser interação, ótimo. Se não, tudo bem.

Foi preciso adaptar a casa para receber mais pets?
A única adaptação foi dividir o pátio em duas partes, para organizar melhor dependendo do tamanho ou do temperamento dos cães. Fora isso, eles ficam dentro de casa, convivendo normalmente.

Como as pessoas podem te encontrar?
Pela página do Oh My Dog Pet Hostel, no Instagram. A partir dali eu dou toda a assistência.

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