A redução de 5,2% no preço da gasolina tipo “A”, anunciada pela Petrobras nesta semana, ainda não foi totalmente sentida pelos consumidores em Pelotas. Apesar da expectativa de queda nas bombas, o repasse tende a ser menor e pode levar alguns dias para ocorrer, segundo especialistas e representantes do setor.
Segundo a Petrobras, o reajuste representa uma redução de R$ 0,14 por litro na venda às distribuidoras. No entanto, o economista e professor da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), Eduardo Tillmann, destaca que o valor anunciado se refere à gasolina tipo A, produto que sai das refinarias e não é comercializado diretamente ao consumidor.
“A gasolina que abastece os veículos é a gasolina [tipo] “C”, que tem cerca de 27% de etanol anidro. Então a redução não é integral, ela é proporcional à parcela de gasolina A presente na mistura”, explica Tillmann.
Outros custos
Além disso, outros custos influenciam diretamente no preço final, como impostos – sobretudo, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) –, custos trabalhistas, logística, transporte, pedágios e a margem de lucro dos postos.
Estoque dos postos
Outro fator importante é o estoque já adquirido pelos postos. Tillmann ressalta que, em geral, os revendedores aguardam a venda do combustível comprado a preços mais altos antes de aplicar reduções. “É uma forma de preservar a margem de operação. Por isso existe um atraso natural entre o anúncio da Petrobras e o repasse ao consumidor”.
Queda deve aparecer a partir desta quinta-feira
Na prática, essa dinâmica já é percebida nos postos da cidade. O gerente de um posto localizado na avenida Bento Gonçalves, Diego Vieira, afirma que a redução ainda não foi totalmente aplicada, mas deve aparecer nos próximos dias. “Até quinta-feira (29) o desconto deve estar completo”, diz.
Segundo ele, nem sempre é possível aplicar imediatamente os reajustes. “A gasolina que está no tanque já foi comprada e quitada. Então a gente trabalha com esse estoque. Quando o novo combustível chega mais barato, aí sim dá para baixar”, explica.
Cada posto faz seu preço
O Procon Pelotas informa que não há obrigatoriedade legal para o repasse das reduções, pois os preços dos combustíveis são livres e cada posto define seus valores conforme custos, contratos e margem de lucro. A última pesquisa do Procon não identificou nenhuma redução após o anúncio da Petrobras. A próxima pesquisa de preços está prevista para o dia 13 de fevereiro e deve indicar se a redução foi captada no município.
